A CRIANÇA MIMADAROQUE THEOPHILO*
O ERRO QUE OS PAIS COMETEM QUANDO A CRIANÇA PASSA A SER MIMADA
Gostar dos filhos sim, mas exageradamente sendo permissivo não, porque tal fato pode gerar o mimo comportamento prejudicial à educação da criança. Os adágios dizem que “criança mimada, criança estragada” ou “criança muito acariciada nunca foi bem educada”. O Dicionário Aurélio conceitua dentro de um dos verbetes de amimar como: “cativar com amabilidades; atrair com agrados ou promessas". Eis, o pomo da discórdia, pois, que ao atrair com agrados ou promessas os pais podem estragar a educação da criança quando se dá muito por indulgência excessiva, desde que a criança passa a ter todos os seus caprichos certos ou errados sempre atendidos, e tal situação não permite que ela se esforce para atingir os seus projetos de vida quer escolar ou social. Não se deve confundir o mimo com o vínculo, pois, que o último é necessário quando bem dosado. Winnicott diz que: “Sem ter alguém dedicado especificamente às suas necessidades, o bebê não consegue estabelecer uma relação eficiente com o mundo externo. Sem alguém para dar-lhe gratificações instintivas e satisfatórias, o bebê não consegue descobrir seu próprio corpo nem desenvolver uma personalidade integrada”. Portanto, a grande dificuldade para os pais é de saber avaliar o que é gratificar dentro de um processo educativo para que não passem a estabelecer uma atenção exagerada que passa a ser mimo sempre com a finalidade de “subornar” o afeto da criança. Daí, ser necessário criar-se uma consciência de disciplina que o Dicionário Aurélio dentro de vários verbetes conceitua como: “Observância de preceitos ou normas”. Disciplina é uma tarefa difícil de ser executada principalmente para os que trabalham fora para impor limites nas ações entre pais e filhos. A dificuldade se estende também entre os que ficam em casa o dia todo. É através do diálogo franco que se estabelecem os limites razoáveis muito mais racionais do que a imposição de obediência por autoritarismo ”conversar mais é que se chega a um bom termo” São consideradas como barreiras para estabelecimento de um principio racional de disciplina o estresse dos pais que chegam cansados do trabalho e passam a ser permissivos ou por desconhecimento de normas racionais passam a demonstrar através do poder de uma falsa autoridade o controle. Umas regras básicas são salutares para estabelecer o equilíbrio entre a permissividade que gera a criança mimada e o autoritarismo que gera a criança revoltada. Considero um ponto básico o casal estar bem sintonizado e prepararem de antemão as estratégias para que a criança sinta segurança e equilíbrio nos pais. 1) Os pais devem velar pela segurança de seus filhos e, portanto, deve haver coerência com regras claras do que pode ou não pode, mostrando de forma racional que a decisão tomada foi um produto de reflexão e uma vez adotada a regra ela não pode ser negociada.A coerência nas atitudes é o ponto básico de respeito e cumprimento das regras adotadas. 2) Nunca devem ser estabelecidas as regras de disciplina quando o momento não for propício isto é quando houver anomalia ambiental tal como pai desempregado, criança doente etc. 3) As regras devem ser claras e condizentes com o entendimento da criança e com a possibilidade de poderem ser cumpridas satisfatoriamente. 4) No caso da quebra das regras de disciplina deve haver o “Conselho de Família” para discutir o fato. 5) A idade da criança é importante e pode-se avaliar que a partir de cinco anos os pais passem à criança a responsabilidade de cumprimento das regras. Os pais devem ouvir as sugestões das crianças que muitas vezes são mais coerentes do que aquelas pretensamente impostas pelos adultos e reforçarem com um elogio de aprovação. 6) Quando houver uma ruptura repetitiva de regras de disciplina os pais devem analisar o que está gerando tal fato.O que os adultos denominam mentira em muitas ocasiões pode ser uma defesa da criança para poder cumprir o que lhe foi imposto.A análise equilibrada do mecanismo pode dar soluções satisfatórias aos problemas. Analisar serenamente as ações da criança pode ser mais produtivo do que qualquer outra forma de disciplina ou castigo. Entender as entrelinhas pode dar maior segurança á criança e assim evitará que ela use o subterfúgio. 7) Depois de uma falha deve haver o equilíbrio com o crédito de confiança. As ações ajuizadas dos pais dão á criança segurança e discernimento sendo um modelo precioso para o processo educacional de formação 8) Os pais devem julgar a falta dos filhos com equilíbrio principalmente as escolares promovendo reunião com os responsáveis pelo processo educacional e sem extremismos analisar todos os ângulos que determinaram a quebra das regras de disciplina.O que revolta a criança é a falta de equilíbrio dos adultos tanto pais como educadores das suas falhas. Fica claro que as alternativas que se escolhem sem um equilíbrio põem em jogo todo o esforço que os adultos fazem para estabelecer um processo educacional racional. Erram os pais quando exigem que os empregados domésticos devem estar sempre prontos para atenderem os caprichos de seus filhos e prejudicam sobremaneira a criança de adquirir a confiança básica e desenvolver o seu potencial criativo perdendo grandes chances de conseguir vitória pelo esforço próprio e se incapacita para fazer passando a depender dos outros para as mais elementares iniciativas da vida.Daí ser grande o número de crianças dependentes e acabam ficando prepotentes achando que os outros devem atender a todos os seus caprichos e vontades. Quando a criança mimada encontra um obstáculo recua e vai a luta menos para conseguir realizar o desafio, mas sim procurar alguém que faça as suas tarefas, pois que acabou sendo um escravo da lei do mínimo esforço abandonando o projeto sem ao menos tentar para verificar se tal dificuldade não pode ser superada. Diante do fato os pais para o incentivo das crianças mimadas Que habitam uma “redoma” procuram tarefas mais fáceis preparando um derrotado para o mundo competitivo que vai enfrentar porque ficaram condicionados ao famigerado mecanismo do mimo. O problema se dá quando esse mimo impede o filho de aprender a enfrentar a vida e a se esforçar o que tem acontece comumente. Ter ou não um bom desempenho na vida na concepção de tais pais não é garantia de nada para a vida dos filhos, nem para o futuro deles, pois, que os pais ainda de forma errônea não chegam a conceber que um dia a criança crescera, com incapacidades e eles não estarão vivos para preencherem as lacunas que se fixaram pelo fato de terem sido educadas como crianças mimadas.
* ROQUE THEOPHILO é Psicoterapeuta e Jornalista Profissional, autor do título « O Amigo Psicólogo ® ». Presidente da Academia Brasileira de Psicologia e Academia Internacional de Psicologia, é um dos pioneiros da Psicologia no Brasil, e um dos fundadores do Conselho Federal de Psicologia. |