Nasceu em Paris no ano de 1859 e morreu em 1947 com 87 anos,
quando se preparava para assumir as funções de Presidente de Honra do 1º
Congresso Mundial de Psiquiatria .
Interessou-se muito cedo pelas ciências naturais notadamente
a botânica. e organizou uma grande coleção de plantas dissecadas paixão que
manteve até o fim da sua vida tendo demonstrando também um grande interesse
pela psicologia
Dos quinze aos dezoito anos passou por um período de
depressão em razão de reflexões filosóficas originando-lhe crise existencial
em razão da busca de conciliação dos conhecimentos científicos com os
religiosos
Pierre Janet teve no seu tio Paul um grande orientador
exercendo grande influência na sua vida em razão da grande identificação
pessoal, Paul Janet era pessoa de espírito brando e muito bem relacionado nos
meios universitários pelo fato de ser professor de filosofia
Apresentou o seu sobrinho ao professor Dastre, que era lente
de fisiologia da Sorbonne franqueando o seu laboratório a Pierre Janet, e
estimulando-o a conciliar os estudos filosóficos com os médicos, uma vez que a
psicologia era uma célula originada da filosofia
Com 20 anos em 1879 ingressou na Escola Normal Superior na
mesma classe do grande filósofo Durkhein
(21)
Em 1881 com vinte e dois anos, Janet é classificado em
segundo lugar no concurso de Filosofia sendo agregado na cadeira,
Bergson (5)
que tinha sido promovido no mesmo concurso um ano antes
Bergson e Janet mantiveram no curso de suas vidas longa e
estreita amizade intelectual e em diferentes ocasiões tornou-se um ardoroso
defensor de Janet inclusive seu o seu propositor durante o concurso de ingresso
no Collége de France que veremos adiante
Janet lecionou Filosofia no Liceu de Châteauroux e em 1883
no Liceu de Havre tendo permanecido no cargo por seis anos.
Um ano antes de Janet entrar no Havre, isto é em 1882
Charcot havia feito na Academia de Ciências, uma comunicação reabilitando com
grande destaque a hipnose, razão pela qual Janet atendo-se aos conselhos de seu
mestre Th.
RIBOT (6) interessou-se pelos estudos da
hipnose.
Foi grande a influência do Havre na vida de Pierre Janet.
A parapsicologia, estava em voga na época, e ele se dirigiu
ao Doutor Gibert, médico que gozava de grande fama no Havre Naquela ocasião
Janet pretendia preparar a sua tese tendo como ponto central as alucinações em
face das percepções. Não obstante, foi só depois que James Braid cirurgião
em Manchester, em 1842 deu publicidade a um trabalho que pretendia refutar os
erros de Mesmer que o magnetismo suscitou novamente a discussão O Doutor Gibert
tinha preferência pelos estudos de magnetismo animal que embora repelido em
geral pelos cientistas, continuou a ser estudado por muitos estudiosos mais como
curiosidade do que como ciência e Pierre Janet solicitou-lhe para que lhe
cedesse uma paciente que sofresse de alucinações com a finalidade de análise.
Embora na ocasião o Dr. Gibert, não tivesse nenhum paciente
que sofria de alucinações, tinha entretanto pacientes com perturbações
psicológicas muito interessantes para serem estudados, e lhe falou que tinha
uma paciente interessante para ser estudada Foi tal fato que fez Janet se
interessar pelos estudos da hipnose que já lhe havia sido sugerida por seu
mestre. Th.Ribot
As experiências que o Doutor Gibert havia mostrado a Pierre
Janet, permitiu ao jovem psicólogo de 22 anos penetrar nos estudos do
sonambulismo hipnótico
Ele devia provocar em Léonie, o hipnotismo a distância,
pois que ela era suscetível a tal tipo de hipnose, pois que quando era jovem o
Doutor Perrier de Caen, já a havia submetida a experimentos de clarividência,
sugestão mental, e hipnotismo.
O tio de Pierre Janet, Paul apresentou a comunicação do
caso Léonie na Sociedade de Psicologia Fisiológica de Paris e teve grande
ressonância interessando o Professores Charles Richet da França e Frédéric
Myers da Inglaterra
Ao escrever uma nota apresentada em 30 de novembro de 1885 na
Sociedade de Psicologia Fisiológica, a comunicação chamou a atenção
particularmente de várias personalidades científicas que se dirigiram ao Havre
para examinar o caso Léonie.
Houve interesse da Society for Psychical Research in London,
que enviou uma comissão de membros para o Havre com a finalidade de tomar
conhecimento do trabalho de Janet.
As experiências efetuadas por Janet, somente algumas tiveram
bom êxito, pois que dos vinte casos de sonambulismo, dezesseis coincidiram
exatamente com a sugestão mental efetuada a um quilometro de distância.
O que provocou estranheza á Pierre Janet que tais
observadores nunca se referiram a tais experiências.
Foi dessa forma que conheceu Charcot, Richet, Marilier, Myers
e etc.
Embora, o seu trabalho fosse modesto provocou interesse ao
lado do ceticismo sobre a sugestão mental e hipnotismo feito a distância.
Infelizmente, estas pesquisas tiveram algumas repercussões apressadas, e deram
lugar a interpretações criticas mal elaboradas.
Janet. constatou que a desconfiança de parte dos
observadores era o fato de que seus estudos enveredaram para a parapsicologia.
Janet, decidiu então restringir os seus estudos aos
fenômenos da hipnose e da sugestão, freqüentando o serviço médico do
Hospital de Havre dirigido pelo doutor Powilewicz , a quem juntamente com m o
Doutor Gibert dedicou a sua obra como "Hommage de reconaissance et
d´affection"
A sala em que efetuava as pesquisas e observações em
mulheres histéricas denominou-a de "Salle Charcot"
Nesse serviço estavam internadas mulheres que sofriam de
histeria. Estudando-as Janet efetua sobre essas pacientes uma série de
experiências que lhes pareciam concludentes verificando que a maior parte das
descobertas de Bernhein e Charcot apresentadas como novidade, já haviam sido
efetuadas por antigos magnetizadores tais como Puységuir
(7), Bertrand,etc.
Numa noite de autógrafos, Pierre Janet cita que ao chegar no
Havre, começou a pensar num trabalho para fazer a tese de Doutorado em Letras.
Elegeu a hipnose verdadeiro instrumento de psicologia
científica, e graças as observações feitas lançou as bases de sua
memorável tese de Doutoramento em Filosofia como síntese dos estudos sobre
histeria denominado –"O Automatismo Psicológico", apresentado na
Sorbonne em 1889", ficando assinalada uma das datas mais importantes para a
história da psicologia geral pelo fato de ter sido reconhecido oficialmente o
psiquismo inconsciente
Foi um ensaio de Psicologia Experimental sobre as formas
elementares de atividade humana tais como a sensibilidade e a consciência
Continuou seus estudos na área médica voltados à
psicologia tendo sido muito bem acolhidos nos laboratórios na área das
perturbações do Sistema Nervoso, através da avaliação de fenômenos
estranhos e tidos como misteriosos, permitiram-lhe que começasse a ter contato
com personalidades de grande destaque no mundo científico tais como Charcot e
Charles Richet
Ingressou na Faculdade de Medicina em 1889 permanecendo nela
até 1893 apresentando tese sobre histeria. sendo Charcot o Presidente do Júri
examinador Foi nomeado em 1897 para o Liceu Condorcet
E em 1898 foi encarregado do curso de Psicologia Experimental
na Sorbonne
As experiências efetuadas entusiasmaram Janet de apresentar
comunicação científica na recém fundada sociedade
A Revista de Hipnotismo anuncia "uma era nova para o
estudo do sonambulismo da histeria e do hipnotismo" e a" douta
Sorbonne não ficou livre do contágio"
A reputação de Pierre Janet já era grande chegando até a
Inglaterra sendo muitos dos seus trabalhos traduzidos para o inglês
Em suma pudemos fazer um breve relato de como era
controvertido o problema hipnose, hipnoterapia, psicologia experimental etc.
Para a Escola de Paris ou de Salpetriêre da qual Janet era
filiado, á nevrose histérica deviam se referir todos os fenômenos
hipnóticos; ao passo que para Nancy estes fenômenos são considerados como
psicofísicos: de um lado o hipnotismo é constituído de observações
patológicas, do outro lado o hipnotismo fisiológico é experimentado sob o
ponto de vistas terapêutico. Na Escola de Salpetriêre fazia-se o grande
hipnotismo, ao passo que em Nancy se estuda o sono provocado e seus efeitos
indistintamente em indivíduos sãos ou doentes, com o propósito de curar sem
pesquisar: fazia-se assim o pequeno hipnotismo ou antes a hipnoterapia
Foi Pierre Janet que deu uma brilhante força a hipnose dando
um magistral conceito de sugestão na hipnose" a sugestão é a
operação pela qual no caso de hipnotismo, ou talvez em certos estados de
vigílias em definir, pode-se com o auxilio de certas, sobretudo o uso da
palavra, provocar ao paciente nervoso, bem disposto, uma série de fenômenos
mais ou menos automáticos delineando-se assim o "L´Automatisme
Psychologique» obra mestra de Janet: faze-lo falar, mover-se, pensar, sentir,
em última análise pelo automatismo transforma-lo em máquina".
A definição foi aceita porém com ressalva do termo nervoso
e Bernhem define a sugestão de forma lata como "ato pelo qual uma
idéia é introduzida no cérebro e aceita por ele
Foi brilhante o estudo "La Fatigue dans la théorie de
Pierre Janet comunicação feita no 9º Congresso de Psiquiatria Social feita em
Paris em Julho de 1982l que nos ocuparemos na estante de textos oportunamente
JANET NO
COLLEGE
DE FRANCE (8)
A psicologia denominada experimental passou depois a
denominar-se psicologia cientifica " psychologie scientifique "
reconhecida sua origem francesa na obra de Henri
Piéron (1881-1964) (9)
Em 1991 por ocasião do centenário de nascimento de Pieron
seu principal sucessor escreveu que Ribot, Janet et Alfred Binet
(10) tem " despertaram o pensamento
francês para a nova psicologia" mas ressalva " nenhum verdadeiramente
procurou instaurar na França uma psicologia objetiva"", sendo tal
mérito devido exclusivamente por Pieron Recentemente durante o centenário de
l'Année psychologique houve oportunidade de os experimentalistas
redescobrirem plenamente Binet de ser o fundador de tal " psicologia
cientifica " à qual Pieron deu as bases institucionais guisa de
esclarecimento a psicologia clinica ou patológica foi marcada pelo bloqueio
psicanalítico à partir dos anos 1930, tornando-se exclusivistas durante a
década de 60 destacando Freud (1856-1939) seu único pai fundador. Assim
procedendo ficaram ocultos progressivamente lídimos representantes de altos
estudos científicos notadamente os do fim dos anos de 1880 como é o caso de
Hippolyte Bernheim
(1837-1919) (11) e Pierre Janet (1859-1947).
Um dos resultados dessa cisão profunda em todos os ramos do
conhecimento humano faz esquecer nomes de pessoas que deram um grande
contribuição e aparece como principal artífice da psicologia universitária
na França Théodule Ribot o grande mestre de Janet que reconhecendo os seus
méritos deu conforme veremos a seguir importantes cursos para serem proferidos
no Collège de France
A vantagem de Janet era ser um grande filósofo e na França
a psicologia no curso dos anos 1870 era uma unidade da filosofia e Théodule
Ribot torna-se um grande lutador e animador do movimento pela emancipação da
psicologia da filosofia, conseguindo instalar-se em abril de 1888, e em abril
desse ano. Ribot deu á cadeira a denominação de "Psychologie experimentale
et comparé"
Em 1895 Th. Ribot convida-o para substitui-lo no Collége de
France
Foi em Dezembro de 1895 que Janet foi pela primeira vez dar
uma série de conferências no Collége de France por proposição de Théodule
Ribot que teve nessa ocasião perturbações de neurastenia, que é uma fraqueza
caracterizada por fraqueza debilidade, irritabilidade, cefaléia, alterações
do sono e fácil fatigabilidade
Na sua aula de abertura no curso de psicologia experimental
no Collége de France que ocorreu em dezembro de 1895 "Janet exaltou a
confiança que lhe havia sido depositada pelo seu mestre que devia tirar
licença para repouso Enfatizou que o Collége de France era a primeira
instituição de ensino francesa consagrada a psicologia experimental. Alegou
que havia escolhido como ponto principal o estudo da personalidade humana
dizendo que era um tema que dominava bem e que esperava poder levar aos seus
alunos observações e experiências pessoais Frisou que os conteúdos não
haviam sido abordados nos últimos cursos de Ribot Justificou que o curso
poderia surpreender os alunos pois que não era um curso de psicologia
experimental Na primeira aula vou evidenciar os enfoques principais da nossa
tese e vou em seguida mostrar as transformações históricas do estudo da
personalidade que foi outrora um problema metafísico, e pode ser hoje
considerado um estudo de psicologia experimental". E daí o programa
desenvolvido durante o ano de 1895-1896 foi "Les conditions psychologiques
de la personalité" No ano seguinte 1896-1897,ele abordou "Les
conditions psychologiques de la volonté" de 1897-1898 o curso é dado por
Ribot e versou "Les conditions générales de la conscience" e
"Les diverses formes d´ímagination"
O ano universitário de 1898-1899, Pierre Janet no Iº
semestre pronuncia "Les conditions psychologiques de la mémoire e no IIº
semestre Ribot assume lecionando "L´imagination criátice". Em
1899-1900 Janet leciona o ano inteiro o assunto "Du somneil et des états
hypnóides" Em 1900-1901 Janet ministra no Iº semestre "psicológicas
da memória". E ainda no mesmo ano no primeiro semestre 1900 a 1901
lecionou "Du somneil et des états hypnóides" e no IIº semestre
Ribot leciona o tema ""Travaux récents sur l´association des
idées" resumidamente f
Foi esse o roteiro descrito por Janet em 1901, durante o seu
ultimo curso como suplente de Ribot, na cadeira de Psicologia Experimental e
Comparada do Collége de France.."
No mesmo ano Janet é nomeado para lecionar na Sorbonne como
encarregado do curso de Psicologia Experimental.
O Collége de France considerando-se o ponto alto da ciência
competia com a Sorbonne e uma assembléia do Collége decidiu à unanimidade
pela manutenção da cadeira de Psicologia Experimental e Comparada"
Em seguida a essa decisão Janet inscreveu-se para o concurso
da cadeira mas não era o único candidato. Sua titulação era a de Doutor em
Letras(1889) e Medicina(1893) e encarregado do curso de Psicologia da Sorbonne.
O seu concorrente era o não menos famoso Alfred Binet doutor em
Ciências(1894), diretor depois de 1894 do "Laboratoire de Psychologie
Physiologique" na Sorbonne e fundador da revista "L´Année
Psychologique". O apresentador dos títulos de Janet foi o grande filósofo
Bergson e o de Binet o fisiologista Etienne-Jules Marey sucessor de Claude
Bernard na Academia de Ciências.
A análise da obra de Janet por Bergson foi exaustiva e deu
um grande destaque no fato dos grandes trabalhos de Janet nos fenômenos
subconscientes nas diversas formas de histeria e mesmo no domínio da psicologia
normal. Ainda Bergson enfatiza que como suplente de Ribot ele já era um
legítimo sucessor do mestre no Collège de France.
Quer como professor e pesquisador ele faz jus em ocupar
definidamente a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada
Por outro lado o defensor de Binet em que no ano de 1882 ele
já surge por importantes pesquisas feitas no campo das pesquisas notadamente
sobre o hipnotismo feitos em Salpetrière a pedido de Charcot e continua a dar o
brilhante currículo de Binet. Em conclusão Pierre Janet foi nomeado no
Collège de France mas teve que deixar a Sorbonne.
Alfred Binet apesar das inumares tentativas jamais conseguiu
aceder a uma cátedra. Este fato ilustra a barreira contra a psicologia
experimental na época para poder conseguir uma cadeira universitária. Na
França os filósofos faziam forte pressão contra a introdução da psicologia
de laboratório.
Por razões ideológicas preferiu-se da r confiança a uma
psicologia de caráter patológico mais próximo de sua tradição e que havia
um mérito de dar um certo respaldo científico aos professores de formação
filosófica.
Janet lecionou no Collège de France de 1902 a 1934
Pierre Janet no México
A passagem de Janet no México em 1825 foi considerada como
uma página da história da Psiquiatria quando celebrou os 15 anos de fundação
por don Justo Sierra
Foi recebido pela Academia Nacional de Medicina, e o Dr.
Aragón pronuncia um discurso intitulado« a Tetralogia de Salpetrière»
mostrando em estilo poético a evolução da psiquiatria francesa de Pinel a
Janet passando por Esquirol e Charcot
Aragón reconheceu em Janet
«O espírito sintético
possuidor de qualidades dos seus três predecessores, tendo conseguido o milagre
de sobrepor aos estudos anátomo patológicos e fisio-patológicos da
Psicologia"
No discurso inaugural o reitor da Universidade Don Alfonso
Pruneda, aludiu a Janet que não havia no Faculdade de Medicina a cadeira de
psiquiatria fato que foi decisivo pois que no ano seguinte foi instalada a
cátedra de psiquiatria, embora houvesse um campo de interesse e práticas
institucionalizadas, a margem porém da universidade como por exemplo em alguns
hospitais que já estavam exercendo pressão. Mas foi o aval da autoridade
visível de Janet e a voz de um sábio autorizado que foi capaz de consolidar a
presença por essa rede de forças pressões e interesses que já atuavam dentro
e fora da universidade.
Entre as atividades com as quais a Universidad Nacional de
México, destacou as suas comemorações foi o curso proferido de agosto a
setembro por Pierre Janet considerado como célebre professor do Colégio de
França e da Sorbonne com o titulo de "Psicologia de los Sentimentos".
A versão espanhola das conferências esteve a cargo do
doutor Enrique O. Aragón, professor de Psicologia na Faculdade de Filosofia e
Letras, e foi publicada no ano seguinte pela Sociedad de Edición y Librería
Franco-Americana ( antigua Casa Bouret y Libro Francés Unidos),México,1926. No
mesmo encontrava-se citado no catálogo as obras de Janet, e o mesmo o menciona
em sua monumental obra "De la angustia al éxtasis,"
O texto da conferência não pode ser consultado durante
muito tempo pelos estudiosos de sua obra, pela escassa difusão e pela pequena
tiragem que se fez
Seja como for até 1980 quando o doutor Héctor Pérez
Rincón descobriu na biblioteca dos herdeiros do doutor Aragón um exemplar que
apresentou em edição limitada, com uma introdução em que resumiu a biografa
Enriqueceu o texto original com uma bibliografia pertinente e notas de pé de
página. Esta edição mereceu um prólogo do professor Pierre
Pichot. (12)
O interesse desta obra que agora apresenta o Fondo 2000 de
Cultura Económica se deve fundamentalmente, ao fato que contem a primeira
formulação das idéias que Janet desenvolverá mais tarde em "De la
angustia al éxtasis", cujos dois volumes foi publicado em 1991 na
Colección de Psicologia, Psiquiatria y Psicanálises del Fondo de Cultura
Económica. Com esta edição se iniciou a revalorização de um autor que
durante muito tempo foi, reconhecido somente pelos eruditos. Nestas páginas o
leitor conhecerá a influencia positiva que a visita de Janet teve para a
psiquiatria mexicana, como o próprio Pérez Rincón relata no capítulo sobre
México na segunda Edición de Historia de la psiquiatria, de Postel y
Quétel (FCE, 1997)
Um aspecto pitoresco do grande amor que Janet nutria pela
botânica foi o que aconteceu em 1946, quando o Dr. Guevara Oropresa que foi o
anfitrião indicado para acompanhar Janet no México deão dos psiquiatras
mexicanos, e membro estrangeiro da Sociedade Médica Psicológica depois de 1945
e em 1923 defendeu tese inédita e uma das primeiras comparando a doutrina de
Janet com a Psicanálise freudiana. Em 1946 visitando Janet já com 86 anos
encontrou no balcão do seu apartamento em Paris uma planta nativa do México de
péyotl (Lophophora Williams) cuja muda Janet trouxera do México por ocasião
de sua estada. O visitante disse que a plante tinha sido interditada no México.
Henri Pieron que se encontravas no momento exclamou "Na França
também" ouvindo-se uma ruidosa gargalhada de Janet
É interessante mencionar que a Sociedade de Estudos
Psicológicos, fundada em 1907 tomou um novo estímulo depois da visita de Janet
e se estabeleceu sob o nome de "Sociedad Mexicana para Estudios
Psicológicos" agrupando no campo médico a psiquiatria,
A psicanálise embora alguns cientistas da época a
reconhecessem era encarada com certa reserva pela psiquiatria, embora mesclassem
conceitos; as suas posturas eram antagônicas como foi o caso de Janet voltado
por uma forma de pensamento e Freud- para outra.
Um mérito não pode ser deixado de ser citado na atuação
de Janet como o mais eminente membros da equipe de Salpetrière a insurgir-se
contra aqueles que negavam sistematicamente os fenômenos hipnóticos não
concordando ou dando um valor relativo de cura para certas categorias de
doenças
Pierre Janet e a Filosofia
Em 1889 quando Pierre Janet, publicou a sua tese "L'Automatisme
Psychologique" foi a partir desse trabalho que surgem os primeiros
textos sobre as idéias fixas subconscientes e a psicopatologia das nevroses.
Os estudiosos da época sentiram que uma nova fase estava
começando a surgir nos estudos da psicologia.
Mas logo se estabeleceu a crítica que Janet aos reunir os
seus primeiros trabalhos sobre o inconsciente que seus estudos eram descritivos
, e que a sua psicologia era estática, enquanto a de Freud é dinâmica.
Poucos se aperceberam, e principalmente a jovem geração de
psiquiatras que Janet estava a caminho de edificar uma síntese extraordinária
pela sua audácia e dimensões não acompanharam os seus últimos trabalhos que
marcavam a inflexibilidade de seu pensamento na direção da filosofia de onde
ele partiu.
Não obstante, os referencias feitos por estudiosos
consagrados enalteceram o seu pensamento como Bjabrn Sjiivall (1947), Elton Mayo
(1948), Leonhard Schwartz (1951), John Elmgren (1967). E na França foi editado
um estudo comparado de Freud e Janet por Henri-Jean Barraud (1971). Três
coleções de homenagens a Pierre Janet foram publicados em forma de Coletâneas
ofertado para a sua família e amigos em 1939, um numero especial da l'Évolution
Psychiatrique em 1950, e um numero especial du Bulletin de Psychologie em
1960.
Essas obras e contribuições esclarecem numerosas facetas da
obra, porém uma coisa curiosa é que poucos autores levaram em conta que o
pensamento de Janet tinha a sua fundamentação na filosofia mencionando
simplesmente que Janet havia iniciado sua carreira como professor de filosofia,
por pouco tempo e depois havia passado para a psicologia como se ela fosse a
única obra de sua vida..
Pode-se comparar a curva de evolução de Janet a de Piaget
que edificou um vasto sistema de psicologia genética partindo da epistemologia
que depois tornou-se epistemologia cientifica que é o conjunto de conhecimento
científico, visando explicar os condicionamentos sejam eles técnicos,
históricos, ou sociais, ou lógicos, matemáticos, e lingüísticos,
sistematizando as suas relações, para esclarecer os seus vínculos, e avaliar
os resultados e aplicações.
Piaget procedeu dessa forma e delimitou os problemas e os
pesquisou com metodologia própria, que por si eram capazes de garantir um
verdadeiro conhecimento. Através dessa metodologia Piaget edificou a sua
monumental Psicologia Genética.
Fizemos tal parênteses para mostrar como uma vez tendo ele
firmados os conceitos voltou a tratar diretamente de questões filosóficas.
sendo a sua volta a epistemologia uma questão de método, uma vez que Piaget
não a havia jamais abandonado.
Sobre Janet pode-se dizer o mesmo. que ele partindo da
filosofia, edificou uma nova síntese psicológica, formulando as indagações
filosóficas de onde havia partido
A formação filosófica de Pierre Janet era sólida, pois
que após estudar filosofia um ano no Lycée Louis-le-Grand em Paris, ele passou
mais três anos na l´École Normale Supérieure, e, foi aprovado brilhantemente
no concurso de agregação, onde foi professor de filosofia durante doze anos
nos Lycées à Châteauroux, Havre e Paris conquistando o Doutorado em Letras.
Redigiu nada menos do que seis manuais de filosofia para o ensino secundário
Pierre Janet captou muitas influências, a começar pelo seu
tio Paul Janet, conhecido especialista em filosofia espiritualista, e em seguida
da filosofia francesa clássica de Descartes, Malebranche, e os Ideólogos, sobretudo
Maine de Biran (14)
entre os filósofos mais recentes Boutroux, Fouillée et Jean-Marie Guyau.
Janet tinha sido colega de Bergson na l´École Normale
Supérieure; mantendo durante sua vida estreita relação de pensamento com ele.
E o fato da pouca atração pelos filósofos alemães prende-se ao fato de não
poder estudar os seus textos por desconhecer a língua, sendo depois atraído
pelos americanos (notadamente Josiah Royce e William James).
Pierre Janet nunca distanciou-se da filosofia e edificou toda
a sua obra sobre o pensamento filosófico subjacente no qual fundamentou de
forma sólida as bases que definem a psicologia.
O ponto de partida da sua obra psicológica foi o cuidado de
edificar uma psicologia científica, em contraste com a psicologia que era
estudada na maior parte das universidades européias.
O problema de Janet parece simbolizado pelo sujeito da tese
latina: "Bacon e os Alchimistes" na qual
Bacon(22)
surgia como o herdeiro de um vasto e antigo sistema de pensamento especulativo,
e de outro como o iniciador de uma nova ciência fundada na experimentação. Da
mesma forma Pierre Janet foi o herdeiro de uma longa tradição de psicologia
filosófica representada por seu tio Paul Janet, integrando-se em seguida ao seu
mestre Ribot, para se dar a fundação de uma nova Psicologia Cientifica.
Nos manuais de filosofia, Pierre Janet faz primeiramente uma
diferença entre a " filosofia cientifica " (antes denominada
filosofia das ciências) e a " filosofia moral ", sem pretender
afirmar a primeira como a única capaz de integrar a segunda. A primeira partia
do ponto de vista de Bacon, e a segunda se estriba numa citação de
'Épictète: "Eu sou um ser racional, ele me faz celebrar em verso Deus.
Eis o meu e eu o exerço"
Para construir a sua filosofia Janet parece ser guiado por
dois princípios
1-Durante o século XIX, havia escrito um grande numero de
monografias, produzindo conhecimentos esparsos. cometendo uma falha quando
deixou de edificar amplas construções (de " modelos teóricos " em
linguagem atual) que permitiria reagrupar todos os conhecimentos adquiridos e
inaugurar novas pesquisas. Tais construções seriam necessariamente
"andaimes" provisórios que, o obreiro constroe e uma vez terminado o
trabalho são abandonados e trocados por outros.
2-
Para se construir um pensamento deve-se proceder como
o exemplo dos andaimes através da análise e da síntese.
A analise decompõe ao mesmo tempo os seus elementos naturais
e a síntese os reconstitui ao mesmo tempo em questão.
Portanto a Psicologia Cientifica devia partir da analises
psicológicas para passar em seguida à síntese.
Muitos autores se fixaram nesse método.
Conculca havia imaginado o mito de uma estatua que perdeu um
dos sentidos e depois perdeu o outro.
Ele descrevia que pelo desenvolvimento hipotetico se formaria
por associações o conhecimento na mente dessa estátua , da mesma forma
autores constróem as suas psicologias fundamentando-se nas associações.
Janet ao edificar uma construção hipotética se resguardou
desse gênero de associações pois que ele. partiu da experiência clinica,
tomando como ponto de partida, não a sensação pura ou associações, mas sim
a ação. Abandonando o esquema tradicional tripartido decompondo a atividade
mental em inteligência, afetividade e vontade.
Janet se inspirou em Maine de Biran. que havia tomado o
esforço como principio fundamental da vida mental e considerava a consciência
como a percepção do esforço.
Mane de Birras via que a formação de pensamentos ocultos
haviam sido feitos por eventos conscientes, como ocorre na vida animal que é
constituído por emoções elementares, isto é os instintos e os hábitos, e
dessa forma manifestava-se durante o sonho e o sonambulismo.
É precisamente esta vida subjacente que Janet chamou de
"subconsciente".
Um destaque de ser feito quando. Janet fala do subconsciente,
para distinguir esse grupo de manifestações psicológicas do "inconsciente"
que a metafísica de Schopenhauer
(15) e de von Hartmann haviam colocado
como um fato importante da época.
A definição que Janet dava ao subconsciente era puramente
empírico e para o observador que os vê de fora as manifestações são
perfeitamente inteligíveis, e são produzidas pelo doente por quando ocorrem as
manifestações estranhas na qual a sua personalidade não participa.
Ao contrário a lenda propagada por alguns psicanalistas,
Janet jamais reformulou sua concepção inicial do subconsciente e em
1939, Janet revela que não havia se livrado do seu lazer preferido que era a
botânica, Cita o fato que havia encontrado uma pequena planta que lhe parecia
por todos os efeitos desconhecida. No momento que a examinava com a lupa para
tentar identificar pelos seus caracteres morfológicos, seu pensamento murmurou
a palavra " chrysospleniurn " palavra que parecia ser o nome da planta
Considerou não haver visto jamais esta planta e nem conhecido o seu nome. A
única explicação plausível seria o fato de que ele teria um dia visto numa
obra de botânica um desenho da plante com o seu nome latino Tal fato Janet
considerou tratar-se de uma lembrança subconsciente. Mas Janet persistia em
afirmar que todas as atividades subconscientes da mente deviam ser exploradas
com prudência.
Janet fala da análise psicológica como de um método geral,
da mesma forma que um químico parte da analise química.
Há uma diferença característica entre Janet e Freud, pela
qual a psicanálise tem seu método pessoal.
Freud declarou " o fundador da psicanálise é só
qualificado por definir o que é a psicanálise e aquilo que não é."
Tal idéia não foi jamais aceita por Janet pois que para ele
a análise devia ser seguida pela síntese
Janet edificou uma forte construção sintética no qual ele
englobou os mais numerosos elementos.
Toda a psicopatologia ele analisa seguida pela psicologia
animal, e uma parte pela psicologia de infantil
É justamente nesse ponto que Piaget vem completar Janet, e
reforça também a psicologia social e a etnologia.
A medida que Janet avançou nesta construção novos
questionamentos surgiram.
O que Paul Janet havia descrito detalhadamente sob o nome de
" moral ", o seu sobrinho Pierre Janet a incorporou na sua hierarquia
de tendências sob o nome de " conduites rationnelles-ergétiques ",
" expérimentales " et " progressives".
Janet abordou os fenômenos religiosos de duas maneiras.
Ele pesquisa clinicamente alguns casos do espiritismo e da
possessão demoníaca e estudou sobretudo por ter acompanhado durante vinte e
cinco anos uma mística Madeleine ou Magdalena , que apresentou os estigmas da
Paixão de Cristo, o que lhe permitiu efetuar uma série de pesquisas
experimentais a respeito da histeria MAGDALENA, que era uma pessoa na
qual a sua moléstia veio aclarar muitas dúvidas. Corresponde a uma das
5000 mulheres com transtornos nervosos e mentais internadas em
Salpetriere. Magdalena, foi antiga bailarina da ópera que a toda custo
queria ocultar sua profissão. Por esse motivo andava muito perturbada. O mal
começou numa noite de natal foi se acentuando cada vez mais com o diagnóstico
de uma siringomielia. afecção caracterizada, anatomicamente, pela
formação de cavidades na medula espinhal, e clinicamente, por distúrbios
sensitivos, tróficos, motores e reflexos.
O caso foi muito importante e devemos remontar a suas
origens. Magdalena pertencia a uma família rica e rodeada por muito conforto. A
tímida Magdalena começou com 12 anos de idade a ter escrúpulos e a
perturbar-se pelo luxo que tinha em sua volta, e achava que não o merecia. A
assustava o "conforto"; e queria ser a mais pobre entre as pobres e
daí surgiu a fuga, que primeiro se apresentou em seu espírito como projeto e
que depois realizou fugindo da família. Desapareceu e a polícia foi acionada
para encontra-la. Teve um vida acidentada y esteve em San Lázaro entre as
mulheres perdidas. Aos 40 anos foi levada pela polícia em Salpétriere, onde se
teve conhecimento dela, pensando em cura-la e devolve-la para a sua família.
Foi-lhe dado muitos diagnósticos porem na evolução de seu mal podem
considerar-se quatro fases :a) A sucessão de estados morbidos-1. Estado de
tentação 2. estado de aspereza; 3. estado de tortura, 4. estado de
conformismo.
Analisando cada um dos estados, o primeiro estado, de
tentação, com grande quantidade de escrúpulos, de duvidas e, de obsessões e
de problemas intermináveis Nessa vida de caleidoscópio há uma idéia
religiosa dominante. Pensa empreender uma viajem a Roma, porque a virgem subiu
no céu e esta noticia queria revela-la ao papa. Os anjos a ajudariam para
cumprir a sua missão, que não tem outro objetivo senão defender os interesses
da Igreja. Para empreender o intento necessita realizar o êxodo e chegar sobre
as pontas dos pés. Afirmava que subiriam 10 centímetros do solo (?) porem não
importa!... tenho que ir a Roma.
O segundo estado, o seja de aspereza, tem a ausência de
sentimentos traduzida num negativismo marcado. Constantemente dizia: "não
sei rezar"; "Deus não me ouve"; "Deus não me ama",
etc. Este aspecto cede lugar ao terceiro, o de tortura, onde afirma que está no
inferno sofrendo inumeráveis tormentos físicos y morais "Passei - diz -
toda uma noite suspensa por vigas de meu quarto. Profetizo todos os males. O
comercio de Paris é de carne humana e parece como se por eles tivessem passado
os quatro cavaleiros do Apocalipse."
Com tal convicção de suplícios, Magdalena é mentirosa por
definição Pensa então no ódio de Deus e seu delírio se transforma em
delírio persecutório, que apresenta os mesmos caracteres que aparecem nos
fenômenos sociais, ou seja com seus dois aspectos, a saber: o ódio de um para
com os demais e o ódio dos demais para com outro, em outras palavras um ódio
recíproco: do sujeito que o experimenta para com todos a quem se tem e destes
últimos para com o primeiro.
Na terceira etapa assinalada pela agitação acontece o
último período de consolo, quando o sentimento religioso a salva e assim como
teve profunda tristeza durante sua enfermidade, e tristeza mesclada com
múltiplas inquietudes, fica satisfeita com a saúde. São duas curvas que se
sucedem a uma e a outra.
b) Os sentimentos referentes a cada período patológico
Refletindo sobre os quatro estados ou períodos da vida de
Magdalena, há um problema correspondente a cada ciclo e, portanto quatro
problemas, a cada um dos quais se referem quatro sentimentos fundamentais,
respectivamente: 1.inquietude,2.indiferença,3.tristeza, 4.alegría.
AS LIGAS SOCIAIS
Cada um destes sentimentos se realiza dentro de mesma
sociedade que opera sobre nos e nos oferece diferentes matizes de interesse:
simpatia, antipatia, ódio e amor; cada um de cujos estados, por sua vez, é
capaz de originar enfermidades mentais nada mais que em sua provocação é
muito comum que não exista simplicidade mas, pelo contrario, combinações e
complexidade grandes, nas quais o psicólogo e o psiquiatra têm que fazer as
análises, como iremos efetuar em cada um dos assuntos que vamos trabalhando no
desenvolvimento de nosso estudo.
Ha a inquietude da alegria isolada, assim como ha a
inquietude que se transforma em ódio quando se misturam certas idéias seguidas
de angustia. Um homem no qual não se pode pensar sem que venha acompanhado de
intranqüilidade, se o odeia; assim como a uma mulher em que se pensa sem que
apareça o enlevo que se ama, porem sempre, em último caso, com o interesse de
seu afeto e com a duvida e inquietude da sua correspondência.
A simpatia e a antipatia não se podem conceber senão
socialmente e por a sua vez, são a fonte ou o ponto de partida de incontáveis
estados de consciência. Sem embargo, estes ímpetos de aproximação ou de
distanciamento que elas fornam, desaparecem no estado psíquico especial que
temos chamado de "aspereza, * origem de transtornos patológicos sérios.
O termo não foi adequado e não se encontra no léxico
clínico. Faz alusão a um estado de retração ou achatamento emocional, do
autismo, que poderia corresponder a "atimhormia" de Dide y Guiraud.
Janet, ao adotar o termo de "secura", se enquadra
dentro das tradição de Galeno para quem "o seco é mais abundante na
bílis negra dos melancólicos.
Por outro lado não dispensava de informações sociológicas
e etnológicas Janet havia diferenciado a " filosofia cientifica " da
" filosofia moral ". A medida que ele evoluía e sobretudo nas ultimas
publicações Janet retomou problemas de "filosofia moral" Um dos
problemas que o preocupava era aquele de historia, disciplina que não utiliza
critérios da ciência experimental e donde pode-se perguntar porque ela
interessa aos homens. Janet se refere aqui a uma curiosa assertiva que constitui
um leitmotiv que é a repetição, no decurso de uma obra literária, ou de
determinado tema, a qual envolve uma significação especial ou tema ou idéia
sobre a qual se insiste com freqüência, e nas suas ultimas obras e passa
integralmente o fato da humanidade conservar integralmente partes misteriosas
que nos é inacessível pelo menos atualmente por não podermos explorar ou
mesmo , viajar um dia saberemos de coisas extraordinárias das quais não temos
as menor idéia.
O problema da crença é um fato que preocupou Janet durante
a sua vida. Durante muito tempo Janet havia abordado clinicamente pelos
subterfúgios da crença mórbida tal qual se apresenta nas alucinações e nos
delírios persecutórios É em nível pouco distante daquela que Janet, no
inicio parecia, acomodar a crença religiosa; ele a classificou entre as
condutas que denominava " asséritives" (isto afirmações sem
fundamento experimental). Mais nos seus escritos posteriores aparece uma nítida
evolução do pensamento de Janet pode ser que tenha partido de Bergson tal
influência Janet encarava constantemente os místicos como pioneiros que haviam
feito progredir o pensamento humano e adquirido conhecimentos fazendo progredir
o pensamento humano e adquirido conhecimentos aprofundando-se nas condutas
ascéticas, portanto por outras vias daquelas da ciência experimental.
É errado considerar Janet como um ateu; o termo diagnostico
não tem sentido porque o seu pensamento comungava como de Jean Marie Guyau
(filósofo,sociólogo,psicólogo e poeta.) Este filósofo que ele muito admirava
era um homem dotado de sentimento religioso mais incapaz de aderir pela razão a
algum dogma religioso.
Por ocasião de sua morte, Pierre Janet escrevia uma obra
sobre a crença com o manuscrito inacabado e ainda inédito. Tudo nos leva a
crer que Janet havia formulado de forma secreta que deve ter levado ao túmulo
pois que não existe nenhum fragmento esparso.
Nos esperamos que esse estudo possa contribuir para que o
monumental trabalho de Janet saia da penumbra colocado pelas liças constantes
que teve com sábios da época notadamente Freud
JANET E CHARCOT
Pierre Janet foi aluno de Charcot quem lhe sugeriu estudar
medicina para ampliar sua formação filosófica inicial e poder construir uma
psicologia voltada à medicina. Se não teve uma "escola" no mesmo
sentido que Freud, seu contemporâneo e inimigo pessoal, Janet exerceu
influencia em destacadas personalidades da psicologia e da psiquiatria, como
Jean Piaget (13)
As primeiras experiências sobre hipnose e sonambulismo foram
relatadas em 30 de novembro de 1885 através de prestígio de seu tio Paul Janet
na Sociedade de Psicologia Fisiológica cuja reunião era presidida por Charcot
passando assim a conhecer o nome de Pierre Janet
No dia 1º de novembro do mesmo ano iniciou os seus estudos
de medicina nos serviços de J.Fairet, porém Charcot já havia preparado
para Pierre Janet, o laboratório de psicologia experimental
em la Salpêtrière dirigiu sua tese "Contribuition à l´étude des
accidenta mentaux des histériques" em 29 de julho de 1893
porém apresentada uma ano antes com o título de "L´État mental des
hysteriques, les accidents mentaux’
Charcot prestigiava o pensamento de Janet no campo de
enfatizar a noção de consciência ficando reduzida nos enfermos com debilidade
psicológica.Tal conceito levou Janet a fazer a partir de 1901 a análise
descritiva de outra "grande neurose", construída "segundo"
o modelo da epilepsia e da histeria, "a psicastenia"(termo criado
por Janet para substituir o de neurastenia) , e que foi objeto de importante
obra"Les obsessions et la psychasthénie", publicada em
1903. A Definição de Janet é "Afecção mental muito difundida,
caracterizada por diminuição de tono vital(abaixamento da tensão
psicológica), e cujos principais sintomas são depressão física e moral, um
sentimento de falta de alguma coisa e perda do sentido de realidade, uma
tendência patente de obsessões às manias(sobretudo a mania de escrúpulo) e
aos fenômenos ansiosos. Lastimavelmente em 16 de agosto falece Charcot e seu
sucessor Raymond manteve Janet no cargo mas quando em 1910 falece o seu sucessor
Déjerine começou a criar impecilhos para Janet e ele foi alojar-se no serviço
vizinho de Nageotte que não tinha os mesmos interesses de Janet isto é a
psicologia experimental mas sim a histologia deu solução a uma pergunta de
fácil compreensão, mas de difícil resposta quando definiu a sugestão como
«a operação pela qual no caso do hipnotismo, ou talvez em certos estados de
vigília a definir, pode-se, com auxilio de certas sensações, sobretudo com
auxilio da palavra, provocar em indivíduo nervoso, e bem disposto, uma série
de fenômenos mais ou menos automáticos: faze-lo falar, mover-se, pensar,
sentir em ultima análise transforma-lo em máquina»
A definição foi aceita com exclusão do termo nervoso;
atendendo-se ainda que, se não pode transformar todo o sujeito em máquina, a
isso se opondo uma resist6encia orgânica, consciente ou inconsciente; porquanto
não se admite mais como tão absoluta essa passividade do hipnótico: há
sempre duas forças em conflito: a sugestão e a personalidade
A importância de Salpêtrière
No ultimo terço do século XIX Jean-Martin Charcot foi o
primeiro cientista à dar apresentações das manifestações do inconsciente
nas áreas de l'hôpital de la Salpêtrière) Afirma-se que a 'historia do
inconsciente teve inicio dezenas de anos aparecendo sob a forma de magnetismo
animal e a pratique hipnótica atribuída à Braid (1843) a paternidade do
'hipnotismo cientifique, e era comum se entrosar com o magnetismo animal por sua
vez o precursor. A maioria considera o verdadeiro precursor da hipnose
Franz-Anton Mesmer (1734-1815), o criador do magnetismo animal e vai centrar a
cura magnética sobre a crise convulsiva. Se instalou em Paris no ano de 1778,
com sucesso a pratica de passes magnéticos quando se instaurou o uso da
"baqueta magnética", que o rei Luís XVI ordenou uma enquête. O
magnetismo animal foi banido na França duas vezes por uma comissão composta
por membros da 'Academia Real de Ciências e a Faculdade de Medicina (
Puységur vai, destacar a influência da vontade na terapia e
da ordem do terapeuta sobre o doente quando Jean-Martin Charcot foi nomeado em
1862 chefe de clinica encarregado do serviço de alienados à la Salpêtrière,
conhecido por importantes trabalhos no domínio médico mas ele não se
'interessou ainda pela histeria.
O hipnotismo entra à la Salpêtrière em 1878
Apesar de em 1865 se encontrar a primeira publicação de
Charcot sobre a histeria foi em 1870 na cátedra que vai se tratar esse tema
A época que se dá a primeira aula clínica foi em 29 de
maio 1866, na Salpêtrière; não havia anfiteatro para dar aula que eram feitas
nas salas de enfermarias Preparou as oito ou dez aulas que não foram expostas
no estado atual mas apresentou fatos novos apresentando doenças crônicas dos
idosos. Mais tarde percebeu-se mais particularmente o estudo das doenças do
sistema nervoso. Em 1870 foi feita a sua primeira conferência
Sobre o tema de histeria apresentando o caso de Justine
Etchevery, um caso típico para o estudo clinico das multiples manifestações
locais somáticas da histeria (Charcot, 1872-73).O programa de la Salpêtrière
sobre a histeria não se amplia senão a partir de 1876-1877 com os primeiros
trabalhos de Charles Richet (1875) que estudou o sonambulismo provocado e mostra
por passes dites magnéticos pela fixação de um objeto brilhante e de outros
procedimentos empíricos que são obtidos uma nevrose provocada análoga ao
sonambulismo natural. de la Salpêtrière, direto sob os auspícios do
"Progrès Médical" fundado em 1873. Enfim foi sobretudo com a
introdução à la Salpêtrière em 18 julho de 1876, sob a orientação de
Charcot, da metaloscopia (determinação de um metal pelo qual o doente
histérico é sensível da metaloterapia (terapêutica interna decorrente da
afinidade revelada pelas aplicações externas dos metais por um experiente
médico: Victor Burq.
O "burquisme", como foi chamado foi estudado pela
Société de Biologie na cátedra da comissão nomeada por Claude Bernard e
presidida por Charcot, encarregado de examinar a realidade do fenômeno da
métaloscopia A Société de Biologie fez dois relatórios um em abri de 1877
sobre a metaloscopia outro em abril de 1878 sobre a metaloterapia A ação das
placas metálicas é indubitável pelos comissários mesmo sob as condições de
experimentação são discutíveis Os metais e os imãs produzem ou fazem cessar
perto dos histéricos a 'hémianesthésie, as contraturas as perturbações
visuais ou auditivas etc. Mais o que os membros da comissão descobrem é a
existência de um "transfert": sem a aplicação de metais conduzidos
em volta da sensibilidade observando que a anestesia se desloca através de uma
zona sã
Resolve-se também a idéia de uma produção artificial dos
sintomas histéricos pela aplicação dos imãs e solenóides indutor
constituído por um conjunto de espiras circulares paralelas e muito próximas,
com o mesmo eixo retilíneo. Da histeria chega-se ao hipnotismo esse é o
raciocínio marcado pela história que foi conduzida por Charcot marcado pela
historia que foi conduzida por Charcot em Salpetriere
No ano de 1878 ele inicia a hipnotizar seus pacientes
histéricos com o auxilio de seus dois colaboradores Paul Richer (1849-1933) et
Georges Gilles de la Tourette (1857-1904): "Ele se preparou por muito
tempo aos estudos complexos por um conhecimento profundo de doenças nervosas
permitindo ao professor Charcot, de fazer do 'hipnotismo ume verdadeira
ciência. Foi pois em1878 que inicia-se no l'hospice de la Salpêtrière duas
conferencias memoráveis que deviam dar um uma nova projeção aos estudos
hipnóticos
JANET E CARL GUSTAV JUNG
Freud, percebendo o avanço que Pierre Janet fazia neste
campo de estudos, juntamente com Breuler fez a publicação conjunta dos dados
obtidos na experimentação do método catártico, elaboração esta que vem a
lume em 1895, sob o título de "Estudos sobre a histeria".
Freud e Janet, ainda que seguindo caminhos opostos, teriam em
fins do século XIX e início do século XX introduzido e fortalecido a noção
de psíquico, marcando a possibilidade de caracterizar-se uma doença do
espírito.
Para Freud, as noções de trauma e conflito constituem o fio
condutor do seu pensamento; e para Janet, a noção de déficit, de uma
insuficiência, seria o ponto determinante.
Janet defendia uma "deficiência inata da capacidade de
síntese psíquica", assim como na estreiteza do "campo de
consciência". A divisão da consciência seria um fator primário.
Freud, enfatizando a noção de trauma situa como secundária
a divisão da consciência. Ainda que oscilante, em um primeiro momento, no
abandono das causas hereditárias e degenerativas na etiologia das neuroses, a
psicanálise vai-se fortalecendo dentro de um campo onde o sujeito marcado pelos
seus conflitos, oscilante entre os imperativos da lei, é dominado por uma
culpabilidade que delineia as marcas da sua subjetividade.
Pierre Janet havia dito, com senso profético, por volta de
1923: "A hipnose está morta, até que ressuscite novamente".
Não há notícias sobre o uso da hipnose com os neuróticos de guerra de
1914-1918. Tornou-se, entretanto, cada vez mais importante, desde os fins de
1944. Em pleno curso da guerra de 1939 a 1945.
Cumpriu-se, nas palavras literais de Freud, "a liga
do puro ouro da psicanálise irá se unir com o cobre da sugestão
direta", implicitamente entendida o cobre como a hipnose,
Freud menciona Janet e seus estudos, de quem discorda no que diz respeito à
histeria.
Janet não parou de investigar e aplicar a hipnose em sua
clínica, e o fez por muitos anos, quase até a década de cinqüenta.
O conhecimento do que se publicava, na época, eventualmente,
pode ter tido influência no sentido de que Freud, nem nas palavras acima nem
posteriormente, não fez mais alusões à sugestão hipnótica nos mesmos termos
em que, antes, de modo velado ou aberto, a depreciava.
Freud, repudiou a hipnose considerando o método catartico em
primeiro lugar e a psicanálise em segundo lugar. Considerando naquele tempo que
a metodologia verdadeira e única referência para "cura" e o estudo
da psique
A hipnose que não podia ainda dar uma explicação valida
para a compreensão da sua fenomenologia, que foi expandida posteriormente na
pesquisa médica e psicológica.
As relações de Freud com Janet nunca foram amistosas porque
Janet
achava que Freud lhe devia muitas explicações das criticas
que lhe havia feito, assim como Freud achava que questionar Janet porque ele
havia atacado com veemência a Psicanálise
Freud e seu contemporâneo, Pierre Janet, tiveram
discordância inicial com a adoção de dois termos diferentes (inconsciente
e subconsciente)
Cada um adotou e manteve o próprio termo em razão dos
desentendimentos e disputas pessoais entre os dois cientistas mais do que em
função de uma dissonância teórica sobre a natureza e De um lado Freud
desvendou o homem culpado e Janet, o homem insuficiente estrutura daquilo que
não é consciente.
Não há evidência de que o termo de Janet, subconsciente,
e não o do inconsciente de Freud, seja o resultado de uma "decisão
consciente" e de um compromisso teórico
Janet no Congresso Internacional de Medicina realizado na
França em 1913, exaltou a Psicanálise dizendo que ela havia prestado grandes
serviços á psicologia
A obra de Janet se desenvolveu paralelamente aquela de Freud.
Seus respectivos trabalhos apresentam como ponto de partida
analogias e convergências indeléveis. Janet, a quem se deve uma descrição
sempre atual do que chamou Psicastenia, para designar as diminuições das
atividades psíquicas que caracterizavam as perturbações mentais dos doentes
atacados de obsessão, fobia, abulia, dúvidas etc.
Janet comungava com Freud quando admitia como critério do
normal no homem uma harmoniosa coordenação de suas energias, admitindo a
possibilidade de outra explicação para as deficiências dessa "Tensão
psíquica" e suas anomalias
Janet não teve nesta obra o destaque que merecia (Cf.E.
Minkowski, "Pierre Janet, Essai sur l´homme et sur l´oeuvre" no
Centenaire de Th. Ribot que foi seu mestre), assim como Paulo Foulquié" La
psychologie conteporaine", Paris.P.U.F 1951 ,pags.329-350)
Infelizmente, este foi o tom da polêmica, que prevalece á
medida que se acentuam as suas divergências. Através de diálogos vagos e de
encontros que não aconteceram pois que os dois jamais se encontraram. e Freud
não compareceu no Congresso de Londres em 1913 para discutir com Janet o motivo
do qual ele havia desferido fortes ataques contra a psicanálise.
Janet foi convidado por Freud para ir á Viena, em 1937.
Pela primeira vez no crepúsculo de suas longas vidas, Freud
pediu a Janet para ser recebido por ele....
Durante alguns anos que precedem a publicação da
interpretação dos sonhos Freud introduz na nosografia, algumas entidades
novas. Ele descreve a nevrose e a angustia separando-as da categoria de forma
muito singular, da neurastenia
Ele separa pela primeira vez a nevrose obsessiva e propõe o
conceito de psiconévrose de defesa na qual é integrada a paranóia.
Mas a mancha principal é aquela de auto-analise, termo que
ele empregou por pouco tempo
Vejamos o que ele escreve na carta à
W.
Fliess (16) em 14
novembro 1897, "Minha auto-analise permanece sempre nos meus planos
Eu tenho sempre me baseado na razão é pelo fato que eu não
posso me auto analisar. De que me servem os conhecimentos objetivamente
adquiridos ,uma verdadeira auto-analise é realmente impossível sem a qual não
haveria mais doenças"
Freud começou à analisar sistematicamente seus anseios a
partir de julho de 1895. Tudo aconteceu como se Freud sem se aperceber, logo a
primeira vista havia utilizado Fliess como interprete para efetuar sua própria
análise.
Com a morte de seu pai em 23 de outubro de 1896 pode-se
avaliar que este acontecimento não é estranho ao complexo de Édipo onde se
encontra um ano mais tarde na carta escrita à Fliess em 15 de outubro em 1897,
A primeira formulação esquemática é a seguinte:
"não me havia passado pela mente que uma só idéia teria um valor geral
Eu encontro em mim sentimentos de amor por minha mãe e de
ciúme por meu pai sentimentos que são, eu penso, comuns a todos os filhos
jovens mesmo quando seus aparecimentos não são tão precoces que as crianças
tornam-se histéricas.
Em 1902 Freud rompe definitivamente com
Fliess.
Em 1900 surge "A Interpretação dos sonhos
A partir de 1924, nas Faculdades de Medicina, levas de
médicos se dedicaram especialmente ao estudo das desordens mentais sendo
adeptos dos pensamentos de Janet e Freud, respectivamente como representantes
das escolas francesa e alemã procurando demostrar as analogias e as
divergências havidas entre as teses de um e de outro, encontrando como
fundamental e "verdadeira" a noção da "subconsciencia" que
encontra concordância no pensamento de ambos.
Para muitos estudiosos a teoria de Freud tinha semelhanças
com os conceitos apresentados por Janet. É o que caracterizava a psicanálise
De forma destacada era o "procedimento" da associação livre.
O que deixou Freud marginalizado foi no que dizia respeito a
sexualidade.
Muitos pesquisadores externavam como absurda a teoria
pansexualista de Freud, porque não conduz à uma hipótese que possa ser
logicamente aceita em psicologia, pelo seu conceito unilateral
As únicas vantagens que as teorias de Freud apresentam nesse
aspecto é o que considera o fato que permite dar más importância para
psicologia infantil, porque é fora de dúvida que é de grande importância
a vigilância na sua vida sexual admitindo-se "a
existência" da sexualidade infantil e para tanto há necessidade de
implantar normas educativas que previnam e reprimam "tendências
perversas" e "malformações no comportamento sexual"
Para poder entender porque autores apresentam pontos de vista
tão antagônicos entre Janet e Freud é bom recordar que a introdução da
psicanálise na França ,Freud aparece como um continuador de Janet e de Binet e
na qual a psicanálise converte- se numa "nova psicologia" da
dissociação.
No famoso Congresso Internacional de Medicina que se realizou
em Londres no dia 7 de agosto de 1913 transformou-se numa uma espécie de campo
de batalha em que Freud e Janet tratavam de atribuir-se o título de fundador da
psicanálise
Pierre
Janet, paradoxalmente reivindica a paternidade de uma
doutrina que condenava.
Em suma as controvérsias maiores residem no fato da
psicanálise fundamentar-se na teoria "pansexualista
Estudiosos como
Janet, Breuer, Freud e outros forneceram
prova da existência deste lado obscuro do psiquismo humano que é o conceito do
inconsciente que exprime antes de mais nada a idéia de algo indefinido e
negativo e que não podia satisfazer somente a constatação da sua existência.
Precisava sair a escala subjetiva para esclarecer como este
inconsciente era feito e o que continha
Foi Carl Gustav Jung , discípulo de Janet que se dedicou ao
estudo da estrutura e conteúdo do inconsciente. Enquanto a teoria freudiana via
no inconsciente um receptáculo de tudo aquilo que é incômodo, indesejável ou
mesmo inútil para o consciente Jung traçou uma distinção entre o consciente
pessoal o impessoal e o coletivo
O inconsciente pessoal contem toda a aquisição da
existência tais como fatos esquecidos, removidos, percebidos, pensados e
sentidos sob o limiar da consciência. Ao lado deste conteúdo pessoal
inconsciente, existem entre outros conteúdos que não se originam de
aquisições pessoais, mas da possibilidade do funcionamento que a psique tem
herdado
Janet, e outros estudiosos consideravam a possibilidade de
ser a consciência constituída de diversos sistemas de controle estruturados de
forma hierárquica dotados de uma bem definida mobilidade e fluidez ,e que a
hipnose se realiza no momento que se transita de um sistema de controle ao outro
como se fosse um momento de estágio um "non sequitur" (isto é o
argumento cuja conclusão não é garantida pelas premissas para a mente naquele
ponto).
Marcas característicos desses impasses podem ser situados
nos trabalhos de Charcot e seus discípulos.
Pesquisadores com notórias contribuições científicas,
não conseguiram propor um novo modelo que apresentasse respostas para os
questionamentos cruciais daquela época, como por exemplo, a constatação de
estados alterados da consciência, de desdobramentos da personalidade, das
duplas personalidades.
Uma fraqueza de síntese psicológica era a explicação
defendida por Pierre Janet. (Laplanche e Pontalis, 1967, pg. 174).
Os ataques histéricos foram reconhecidos com os sinais de
uma crescente excitação emotiva equiparada ao desabafo de afeto
Charcot tentou fixar uma fórmula descritiva da
multiplicação das formas de manifestar-se e Janet reconhece a representação
inconsciente que age atras deste ataque
A psicanálise tem demonstrado que são configurações
mímicas de cenas e visões imaginárias que ocupam a fantasia dos doentes sem
que esses estejam conscientes através da condensação e deformação dos atos
destinados a configurar esta pantomima que não são entendidas pelos
circunstantes. O mesmo acontece com os demais sintomas das doenças histéricas.
Trata-se neste caso de configuração mímica ou alucinatória e de fantasia que
dominam inconscientemente a vida emotiva do paciente e cujo significado situa-se
no recôndito do seu segredo, desejo e culpa.
O caráter tormentoso destes sintomas deriva do conflito
interior no qual vem situada a vida psíquica destes doentes pela necessidade de
lutar contra tal impulso do desejo inconsciente
Pierre Janet se ocupou precisamente deste lado da reação
inconsciente
Freud estudou superficialmente com Janet em Paris, e Janet
alega que havia tido grande influência para formar a sua idéias
Considerava Freud um observador arguto porém sem
conhecimento da psicologia dinâmica, conhecia bem a teoria fisiológica do
fenômeno inconsciente e falava de abaissement du niveau mental
(rebaixamento do nível mental) vale dizer de um certo enfraquecimento de
tensão da consciência isto é um conteúdo submerso na consciência que se
torna inconsciente
È a mesma idéia de Freud, com a diferença que se aprofunda
no inconsciente porque vem auxiliado pelo outro sendo esta a primeira
divergência com Freud.
Nos dias de hoje existem tentativas para explicar a complexa
fenomenologia hipnótica com o conceito de transferência e mais recentemente a
teoria cognitiva e dissociação (Janet, Hilgard etc.) que se apoiam sobre a
idéia que a consciência humana seja constituída de uma multiplicidade de
sistema de controle hierarquizado dotados de uma bem definida mobilidade e
fluidez e que a hipnose se realiza na transição de um sistema de controle ao
outro
Quiçá com qual ótica seriam analisados os procedimentos
mentais se não haviam os célebres pioneiros da psiquiatria dinâmica (Charcot,
Janet, Freud, Jung …);
Pierre
Janet, , com senso profético, por volta de 1923
comentou:
"A hipnose está morta, até que ressuscite
novamente".
Não há notícias sobre o uso da hipnose com os neuróticos
de guerra de 1918. Tornou-se, entretanto, cada vez mais importante, desde os
fins de 1944.
Cumpriu-se, as palavras literais de Freud, "a liga do
puro ouro da psicanálise com o cobre da sugestão direta", implicitamente
entendida Freud teria sido capaz de antecipar que para ele, a hipnose era uma
manifestação histérica, pois jamais em sua clínica presenciou um transe
hipnótico em pessoa não histérica.
Por outro lado,
Lièbeault
(17) contestava-o,
pois há mais de vinte anos hipnotizava pacientes de todos os tipos,
principalmente homens do campo, sem encontrar nenhum histérico entre eles.
Um defensor de
Charcot, Babinski
(18) apoiando-se
nas idéias de Pierre Janet, outro partidário da mesma teoria, em janeiro de
1891, na Sociedade de Hipnologia, afirmou que os pacientes de Bernheim eram
todos histéricos, apesar de observar 72 pessoas hipnotizadas em Nancy.
Dois anos antes, no Congresso de Psicologia Fisiológica, o suíço
Forel(19)
havia contestado Janet, relatando que além de Lièbeault e Bernheim,
Westertrand, em Estocolmo, havia hipnotizado mais de 4.000 pessoas ao longo de
três anos, com pouquíssimos casos de refratários. Afirmou também, que em seu
asilo, em Zurique, todos os enfermeiros e enfermeiras eram hipnotizáveis e, que
ele jamais colocaria histéricos para trabalhar em hospital de alienados.
Concluiu dizendo que "é com o cérebro que se opera para realizar
fenômenos hipnóticos e que os cérebros são tanto mais fáceis de
impressionar (receber sugestões) quanto mais sadios forem, considerando-se que
os cérebros dos histéricos, são agitados e volúveis, cheios de caprichos,
repelem sugestões, ao contrário dos normais que pensam com lucidez".
Hoje sabemos que pessoas histéricas são realmente maus
pacientes, embora possam ser tratados.
Embora a escola de Charcot tenha contribuído para a
evolução do hipnotismo, suas idéias provocaram um certo atraso no
desenvolvimento científico do mesmo. Paralelamente, por pouco tempo, existiu um
escola chamada escola da Caridade, cujo líder era o Dr. Luys , que também
admitiu a influência material sobre o indivíduo hipnotizado, até mesmo à
distância. Fez experiências com medicamentos e outras substâncias em
recipientes fechados e colocados sobre o pescoço dos pacientes, com bolas
coloridas colocadas sobre as mãos dos mesmos, com resultados cujas reações
variavam de acordo com o produto e a cor utilizado.
HOMENAGEM AO IDEALIZADOR DA SOCIETÉ
PIERRE JANET