CARL GUSTAV JUNG

1. Considerações Iniciais

Jung escreveu que,

"Assim, como o nosso corpo é um verdadeiro museu de órgãos, cada um com a sua longa evolução histórica, devemos esperar encontrar também na mente uma organização análoga. Nossa mente não poderia jamais ser um produto sem história, em situação oposta ao corpo em que existe. Por ‘história’ não estou querendo me referir àquela que a mente constrói através de referências conscientes ao passado, por meio da linguagem e de outras tradições culturais; refiro-me ao desenvolvimento biológico, pré-histórico e inconsciente da mente no homem primitivo, cuja psique estava muito próxima à dos animais.

Esta psique, infinitamente antiga, é a base da nossa mente, assim como a estrutura do nosso corpo se fundamenta no molde anatômico dos mamíferos em geral. O olho treinado do anatomista ou do biólogo encontra nos nossos corpos muitos traços deste molde original. O pesquisador experiente da mente humana também pode verificar as analogias existentes entre as imagens oníricas do homem moderno e as expressões da mente primitiva, as suas ‘imagens coletivas’ e os seus motivos mitológicos.

Assim como o biólogo necessita da anatomia comparada, também o psicólogo não pode prescindir da ‘anatomia comparada da psique’. Em outros termos, o psicólogo precisa, na prática, ter experiência suficiente não só de sonhos e outras expressões da atividade inconsciente mas também da mitologia no seu sentido mais amplo. Sem esta bagagem intelectual ninguém pode identificar as analogias mais importantes, não será possível, por exemplo, verificar a analogia entre um caso de neurose compulsiva e a clássica possessão demoníaca sem um conhecimento exato de ambos." (JUNG, 1977: 67).

O excerto acima, extraído de O Homem e seus Símbolos, sintetiza, grosso modo, a visão de Jung e seu método de pesquisa sobre a mente humana.

Jung, antes de decidir pelos estudos médicos, tinha uma atração pela arqueologia. Num certo sentido, ele não deixou inativa, no seu trabalho de médico, de professor e de pesquisador, sua vocação arqueológica. Assim como Foucault desenvolveu uma arqueologia do saber, podemos afirmar que Jung desenvolveu uma arqueologia do funcionamento mental.

Portanto, sua pesquisa não se restringiu entre quatro paredes do consultório. Realizou várias viagens com o objetivo de conhecer a alma humana: em 1921, África do Norte; em 1924-1925, conviveu com os Índios Pueblo da América e em 1925-1926 no Monte Elgon na África Oriental Inglesa. Essas viagens proporcionaram não só a descoberta da significação cósmica da consciência, mas também a constatação de que aos olhos dos homens dessas culturas distantes refletiam o homem branco, o europeu, o civilizado, enfim, o colonizador, como "ave de rapina".

2. Jung: Alguns Dados Sobre o Homem e suas Idéias

Segundo Nise da Silveira,

"Jung era um homem alto, bem construído, robusto. Tinha um vivo sentimento da natureza. Amava todos os animais de sangue quente e sentia-se com eles ‘estreitamente afim’. Amava as escaladas das montanhas, porém preferia velejar sobre o lago de Zurique. Possuía seu barco próprio. Na mocidade passava às vezes vários dias velejando em companhia de amigos, que se revezavam no leme e na leitura em alta voz da Odisséia. Igualmente velejava sozinho e o fez até idade bastante avançada." (SILVEIRA, 1978: 16).

Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, cantão de Thurgau, Suíça, a 26 de julho de 1875. O pai, Paul Achilles Jung, era pastor da Igreja Reformada da Suíça. Seu avô paterno, do qual Jung recebeu o mesmo nome, segundo rumores que corriam na época, era filho ilegítimo do escritor Johann Wolfgang Goethe.

Em 1903 contraiu núpcias com Emma Rauschenbach. O casal teve cinco filhos: Agathe, Anna, Franz, Marianne, Emma. A esposa, fiel seguidora de Jung, foi analisada por ele próprio.

Formou-se médico pela Universidade da Basiléia em 1900 e trabalhou como assistente no Burghölzli Mental Hospital da Clínica Psiquiátrica de Zurique. Foi assistente e depois colaborador de Eugen Bleuler que desenvolveu o conceito de esquizofrenia. Em 1909 deixou o hospital e em 1913 o ensino universitário.

Depois de deixar a carreira universitária em 1913, na época da Primeira Guerra Mundial, Jung passou por um período de intensa solidão, depressão, crise interior e reflexão, embora, nessa época, aos 38 anos, já era um psiquiatra de renome na Europa e na América. Foi nesse período que elaborou os fundamentos de suas idéias sobre a alma humana.

Em 1919, a partir da noção de imago, Jung elaborou a noção de arquétipo,

"para definir uma forma preexistente inconsciente que determina o psiquismo e provoca uma representação simbólica que aparece nos sonhos, na arte ou na religião. Os três principais arquétipos são o animus (imagem do masculino), a anima (imagem do feminino) e selbst (si-mesmo), verdadeiro centro da personalidade. Os arquétipos constituem o inconsciente coletivo, base da psique, estrutura imutável, espécie de patrimônio simbólico próprio de toda a humanidade. Essa representação da psique é complementada por ‘tipos psicológicos’ isto é, características individuais articuladas em torno da alternância introversão/extroversão, e, por um processo de individuação, que conduz o ser humano à unidade de sua personalidade através de uma série de metamorfoses (os estádios freudianos). A criança emerge assim do inconsciente coletivo para ir até a individuação, assumindo a anima e o animus." (ROUDINESCO e PLON, 1998: 422).

Vários de seus trabalhos foram inicialmente apresentados como conferências nas reuniões científicas internacionais (Euranos) em Ascona. Esses trabalhos eram posteriormente ampliados e transformados, muitos anos depois, em livros. Suas obras completas em inglês totalizam 18 volumes. Desenvolveu uma escola psicológica e de psicoterapia que foi denominada de Psicologia Analítica ou Psicologia Complexa, que se implantou em vários países: Grã-Bretanha, Estados Unidos, Itália e Brasil. Recebeu muitas honrarias, entre elas o grau honorário da Universidade de Harvard e da Universidade de Oxford. Dezenas de estudos, artigos e comentários foram escritos sobre Jung.

Uma característica importante do pensamento de Jung é a combinação entre causalidade e teleologia, ou seja, o comportamento do homem é condicionado tanto pela sua história individual e racial (causalidade), o passado; quanto pelas suas aspirações ou alvos (teleologia), o futuro.

Também, como base do conceito de sincronicidade, acontecimentos que ocorrem ao mesmo tempo, mas que um não causa o outro, Jung argumentou que o pensamento causa a materialização da coisa pensada:

"(...) A psique tem duas condições importantes. Uma é a influência ambiental e a outra é o fato dado da psique quando ela nasce. (...) Tudo que você faz aqui, tudo isto, todas as coisas, foram fantasias para começar e a fantasia tem uma realidade própria. A fantasia, como você vê, é uma forma de energia, a despeito de não podermos medi-la. E assim, acontecimentos psíquicos são fatos, são realidades. E quando você observa o fluxo das imagens internas, observa um aspecto do mundo, do mundo interior, porque a psique, se você a entende como um fenômeno que tem lugar nos chamados corpos vivos, é uma qualidade da matéria, como nosso corpo consiste de matéria." (EVANS, 1979: 334-335).

Respeitáveis pensadores foram favoráveis à hipótese da unidade psicofísica dos fenômenos. Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de física em 1945, declarou-se convencido da necessidade de pesquisar a origem interior de nossos conceitos científicos. Produziu um estudo sobre as idéias arquetípicas relacionadas as teorias de Kepler. A publicação de Interpretação da Natureza e Psique foi resultado da aproximação de Pauli e Jung.

As idéias de Jung abriram uma nova dimensão para compreender as diversas expressões da mente humana na cultura. Assim,

"Encontra, por toda parte, os elementos de suas pesquisas: em mitos antigos e em contos de fada modernos; nas religiões do mundo oriental e ocidental, na alquimia, na astrologia, na telepatia mental e na clarividência; nos sonhos e visões de pessoas normais; na antropologia, na história, na literatura e nas artes; e na pesquisa clínica e experimental." (HALL e LINDZEY, 1973: 122).

Apesar de severamente criticado por simpatia e apoio ao nazismo, Jung alegou, bem como seus companheiros, ter sido mal interpretado em seus escritos. O texto A Situação Presente da Psicoterapia, publicado por Jung em janeiro de 1934 na Zentralblatt für Psychoterapie (ZFP), revista da Sociedade Alemã de Psicoterapia (AÄGP), na qual Jung havia assumido o lugar de Ernst Kretschmer em 1933, estava sob controle de Mathias Heinrich Göring, admirador confesso da Führer e que chegou a pedir aos psicoterapeutas da AÄGP que fizessem do Mein Kampf o fundamento da ciência psicológica do Reich.

No referido texto, Jung distinguiu o inconsciente "judeu" do "ariano", que este teria um potencial superior ao primeiro; e de que Freud nada compreendia da psique alemã. Em resposta a um veemente ataque do psiquiatra Gustav Bally em 1934, Jung, em março do mesmo ano, publicou como defesa e esclarecimento o artigo Zeitgnössiches, no qual expunha sobre as diferenças entre raças e psicologias, combatendo a psicologia uniformizante como a de Freud e a de Adler.

É possível que as acusações a Jung fossem ressentimentos alimentados desde o rompimento com Freud. Jung tinha entre seus discípulos mais próximos pessoas de origem semita, mas a comunidade internacional junguiana ficara dividida quanto à questão. O psicoterapeuta Andrew Samuels, da Sociedade Londrina de Psicologia Analítica, em 1992 publicou um artigo comentando, que tal como ele, adepto do culturalismo, Jung aderira à ideologia nazista por instaurar uma psicologia das nações. Samuels conclamou os pós-junguianos a reconhecer a verdade. O artigo polêmico de 1934 foi retirado da lista "completa" das declarações de Jung de 1933 e 1936, por ocasião da publicação do número especial dos Cahiers Jungiens de Psychanalyse (França) dedicado a esse tema. Com isso, os comentadores isentaram Jung da suspeita de anti-semitismo (Cf. ROUDINESCO e PLON, 1998: 424).

Em 1944 foi fundada na Universidade da Basiléia, especialmente para Jung, uma cadeira de psicologia médica.

Jung faleceu em 6 de junho de 1961 em sua casa de Küsnacht.

Ainda nessa época,

"seus adversários continuavam a tratá-lo de colaboracionista, enquanto seus amigos e próximos afirmavam que ele nunca participara da menor tomada de posição em favor do nazismo ou do anti-semitismo." (ROUDINESCO e PLON, 1998: 424).

3. Jung e Freud

Jung considerou restrita a visão de Freud sobre a vida mental, fundamentada na sexualidade. Considerou que os conceitos freudianos abarcavam apenas uma parte da vida mental. Freud, assim, teria ficado restrito ao estudo das neuroses no âmbito do inconsciente individual. Jung, além do inconsciente individual, constatou a existência do inconsciente coletivo, resultante de repetidas experiências comungadas na aurora do homem. Consequentemente, a análise dos sonhos e a dos símbolos ultrapassam, na visão junguiana, a manifestação singular da vida mental e emocional do sujeito, mas deste sujeito como parte do universal, de todas as experiências humanas. Em outros termos, a análise das neuroses teria como enfoque o inconsciente individual e os chamados pequenos sonhos da vida ordinária ou cotidiana; enquanto que os grandes sonhos, de cunho universal, de expressões de arquétipos do inconsciente coletivo.

Para Freud, a vida mental é de cima para baixo, ou seja, a repressão de vivências e experiências para as profundezas do inconsciente, ao mesmo tempo que ela tenta evitar ou distorcer conteúdos inconscientes, geralmente de cunho sexual e agressivo, chegarem à consciência, por serem talvez dolorosos demais para o ego suportar. Para Jung, conteúdos inconscientes, em especial do coletivo, os arquétipos, emergem na consciência, independente do trabalho da repressão ou da vontade do sujeito.

O foco de pesquisa de Freud eram as neuroses, principalmente a histérica, atendendo em seu consultório, a princípio, mulheres da alta burguesia vienense com esse transtorno. E considerou, na sua época, a dificuldade de analisar pacientes psicóticos, pois, para ele, a psicose seria praticamente incurável. Jung, desde o início de sua prática clínica, trabalhou com indivíduos diagnosticados como esquizofrênicos, pois, seus estudos a respeito, realizados em 1907 e 1908, demonstravam que a sintomatologia psicótica possuía um sentido, por mais absurda que pudesse parecer. Com o tempo, constatou uma convergência daquilo que estudava sobre os mitos, símbolos, religiões com as expressões mentais e emocionais dos psicóticos.

Aristóteles discordava de Platão e de Sócrates, para os quais as mulheres deveriam ser iguais aos homens na república e de que ambos são iguais na coragem, respectivamente, porque para Aristóteles,

"A mulher é um homem inacabado, deixada de pé num degrau inferior da escala do desenvolvimento." (Cf. DURANT, 1996: 97).

Embora fundamentando a psicanálise na bissexualidade como corolário da organização monista da libido, isto é, a necessidade do sujeito escolher um dos dois componentes da sexualidade, e dado o contexto repressivo da época sobre essa questão; Freud, apesar de postular nova forma de compreender a sexualidade, no entanto não evitou a arcaica, porém culturalmente sedimentada, visão aristotélica sobre a mulher, conceituando-a também como ser incompleto ao desenvolver suas idéias sobre a inveja do pênis. Jung, entretanto, elaborou a noção dos arquétipos de animus (imagem do masculino) e anima (imagem do feminino). Assim, animus é a masculinidade existente no psiquismo da mulher e anima a feminilidade inconsciente no homem.

Enfim, Freud dava ênfase à biologia como substrato do funcionamento psíquico; enquanto Jung desenvolveu uma teoria mais fundamentada nos processos psicológicos.

Uma biografia de Jung seria incompleta, mesmo que limitada ou modesta, se algumas das diferenças não fossem apontadas. A dissidência de Jung é um fato histórico importante do movimento psicanalítico porque não implicou apenas em discordância teórica, mas no desenvolvimento de uma nova escola, a Psicologia Analítica:

"Profundamente satisfeito em desenvolver sua própria psicologia, Jung afirmou mais tarde que não sentiu o rompimento com Freud como uma excomunhão ou um exílio. Foi uma libertação para si. (...) Sem dúvida, o que Jung extraiu desses anos foi mais do que uma briga pessoal e uma amizade rompida; ele criou uma doutrina psicológica reconhecivelmente sua." (GAY, 1989: 227).

Jung, em abril de 1906, enviou a Freud os seus Estudos Diagnósticos de Associação (Diagnostisch Assoziationsstudien), iniciando uma longa troca de correspondência, num total de 359 cartas. Tal abriria para a psicanálise, numa discussão que envolvia Jung, Freud e Bleuler na exploração do campo das psicoses, especialmente sobre a dementia praecox, como era conhecida a esquizofrenia, o auto-erotismo e o autismo.

Em 27 de fevereiro de 1907, Jung foi visitar Freud em Viena. Nesse primeiro encontro conversaram por cerca de 13 horas. Freud, reconhecendo a capacidade de Jung, viu nele a possibilidade de fazer com que a psicanálise ampliasse fronteiras para além do círculo judaico. Em um carta de 16 de abril de 1909, Freud definiu Jung como "um filho mais velho" e um "sucessor e príncipe coroado". (Cf. SILVEIRA, 1978: 15).

Em 1909, Freud e Jung foram aos Estados Unidos para as comemorações do vigésimo aniversário da Clark University. Na ocasião Freud pronunciou As Cinco Conferências sobre Psicanálise e Jung apresentou seus estudos sobre as associações verbais.

Entre 1907 e 1909, Jung fundou a Sociedade Sigmund Freud de Zurique. Em 1908 ocorreu a fundação, durante o Congresso Internacional em Salzburg, do primeiro periódico psicanalítico, Jahrbuch für Psychoanalytische und Psychopathologische Forrchungen, do qual Bleuler e Freud eram os diretores e Jung o editor. Em 1910, em Nuremberg, foi fundada a Internationale Psychoanalytische Vereinigung (IPV), mais tarde denominada de International Psychoanalytical Association (IPA). Por influência de Freud, contrariando adeptos vienenses judeus, Jung foi eleito o primeiro presidente da IPV. Em setembro de 1911, Jung foi reeleito presidente da IPV no Congresso Internacional de Weimar.

No entanto, já no primeiro encontro em 1907 entre Freud e Jung, este já tinha um conceito de inconsciente e do psiquismo, especialmente influenciado por Pierre Janet e Théodore Flournoy, bem como já discordava das idéias freudianas sobre a sexualidade infantil, o complexo de Édipo e a libido. Jung aproximou-se de Freud porque acreditava que a obra de Freud pudesse confirmar suas hipóteses sobre as idéias fixas subconscientes, as associações verbais e os complexos, além de ver Freud como ser excepcional com o qual poderia discutir sobre a vida mental.

Em 1912, Jung preparou a publicação de Metamorfoses e Símbolos da Libido, cujas idéias discordavam completamente da teoria freudiana da libido, tornando evidente o conflito entre ele e Freud. Jung tentou mostrar a Freud a importância de diminuir a ênfase na questão da sexualidade da doutrina freudiana, até como forma da psicanálise ser melhor aceita. Freud, em 1913, depois de uma síncope durante o jantar do congresso da IPA em Munique, rompeu oficialmente com Jung.

Em outubro de 1913, Jung renunciou ao cargo de editor do periódico e em 20 de abril de 1914 renunciou da IPA.

Mas a gota d’água para a causa do rompimento teria sido um simples acontecimento. Freud foi visitar Ludwig Binswanger em Kreuzlingen, que havia sido operado de um tumor maligno, e não passou por Küsnacht, cerca de 50 quilômetros de Kreuzlingen, para visitar Jung, o qual se sentiu ofendido com esse gesto de Freud (Cf. ROUDINESCO e PLON, 1998: 422).

Conforme Nise da Silveira,

Eram ambos personalidades demasiado diferentes para caminharem lado a lado durante muito tempo. Estavam destinados a defrontar-se como fenômenos culturais opostos." (SILVEIRA, 1978: 15).

3. Cronologia

26 de julho de 1875: nascimento de Carl Gustav Jung em Kesswil, cantão de Thurgau, Suíça. O pai é pastor protestante.

1879: a família muda-se para uma aldeia próxima de Basiléia.

1886-1895: estudos secundários no colégio de Basiléia.

1895-1900: Jung estuda medicina na Universidade de Basiléia e interessa-se pela psiquiatria.

1900: em dezembro torna-se médico adjunto do prof. Eugen Bleuler, diretor da clínica psiquiátrica do Hospital Burghölzli da Universidade de Zurique.

1902: defesa de Tese de Doutorado (Psicopatologia e Patologia dos Fenômenos Ditos Ocultos). É um estudo de caso sobre uma jovem médium espírita, no qual Jung interpreta as manifestações dos espíritos como personificações da própria médium.

1902-1903: estágio e estudo em Paris (Salpêtrière), seguindo o ensino de Pierre Janet.

1903: casa com Emma Rauschenbach, de quem terá cinco filhos. Primeiros trabalhos sobe as associações de idéias e a teoria dos complexos.

1905: assume posto logo abaixo de Bleuler no Burghölzli. É nomeado Privat-Dozent. Ministra cursos sobre hipnose.

1906: publica Estudos Sobre Associações.

1907: primeiro encontro com Freud em 27 de fevereiro. Publica A Psicologia da Demência Precoce.

1908: Publicação de O Conteúdo das Psicoses.

1909: viagem aos EUA com Freud, onde pronunciam conferências na Universidade Clark. Deixa Burghölzli para instalar-se em Küsnacht, na Seestrasse 228, às margens do lago de Zurique, residência que ocupará até a sua morte. É colaborador no ensino de psiquiatria na Universidade de Zurique até 1913.

1909: funda a Sociedade Sigmund Freud de Zurique. Demite-se do Burghölzli.

1910: participa com Freud da fundação da Internationale Psychoanalytische Vereinigung (IPV), mais tarde denominada de International Psychoanalytical Association (IPA). Por influência de Freud é eleito presidente.

1912: publicação de Metamorfoses e Símbolos da Libido, causando várias divergências com Freud.

1913: Freud rompe com Jung. Renuncia ao título de Privat-Dozent.

1914: conferências no BedFord College em Londres (Sobre a Compreensão psicológica e Sobre a Importância do Inconsciente em Psicopatologia; A Estrutura do Inconsciente) e participa de um Congresso Médico em Aberdeen.

1916: forma-se em torno de Jung o Clube Psicológico de Zurique. É publicado As Relações Entre o Ego e o Inconsciente (ampliação de A Estrutura do Inconsciente).

1917-1919: é nomeado médico chefe do campo de prisioneiros ingleses em Château-d’Oex e posteriormente em Mürren.

1918: publica Sobre o Inconsciente.

1920: publica Os Tipos Psicológicos.

1921-1926: viaja pela África, América Central e Índia.

1930: presidente de Honra da Sociedade Médica Alemã de Psicoterapia.

1933: ministra cursos livres na Escola Politécnica Federal.

1934: ministra de 1 a 6 de outubro Seminário da Basiléia, O Homem à Descoberta da Sua Alma.

1935: na Escola Politécnica torna regular seu curso e o tema é sobre Psicologia Analítica.

1943: publica Psicologia do Inconsciente.

1944: A Universidade da Basiléia cria para Jung a cadeira de Psicologia Médica, a qual abandonará em 1946 por problemas de saúde. Publica Psicologia e Alquimia.

1946: publicação de Psicologia da Transferência.

1948: o Clube Psicológico de Zurique torna-se o Instituto C. G. Jung.

1952: publica Resposta a Job.

1954: publica Arquétipo Mãe.

1955: publica Misterium Coniunctionis.

1957: fundação da Sociedade Suíça de Psicologia Analítica. Publicação de Presente e Futuro.

1958: publica Um Mito Moderno.

1957-1959: redige sua autobiografia.

6 de junho de 1961: morre em Küsnacht, à beira do lago de Zurique.

BIBLIOGRAFIA

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