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PIERRE JANET no COLLÈGE DE FRANCE 1. Introdução Pierre Janet foi o sucessor de Théodule Ribot na cadeira de Psicologia Experimental no Collège de France. Em Dezembro 1895, Ribot, fundador da Psicologia Cientifica Francesa, que teve nessa ocasião perturbações de neurastenia [1] , convida-o para substitui-lo no Collège de France. Em 1888, Ribot criou uma cadeira de "Psychologie Expérimentale et Comparée" no Collège de France [2]. A Psicologia foi lecionada no Collège de France pela primeira vez em abril 1888; quando Ribot anunciou que ia se aposentar oficialmente, a partir de 1º de Novembro, a Assembléia do Collège passou a discutir a eterna questão de manutenção ou transformação da cadeira. Uma carta ministerial de 30 de outubro de 1901 solicita oficialmente a assembléia que se pronuncie, baseando-se em razões de ordem científica. Foi encarregado de ser o relator Henri Bergson (1859-1941) filósofo e escritor francês. Em 1900 é nomeado professor no Collège de France, onde as suas aulas obtêm um êxito sem precedentes. Membro do Instituto de França desde 1901, ingressa na Academia Francesa em 1914. Bergson conhecia bem Ribot por encontros em vários congressos e por ter publicado alguns artigos na "Revue Philosophique de la France et de l'Étranger". Mesmo havendo divergências filosóficas sobre numerosos pontos, por exemplo sobre a questão da memória, assim mesmo havia muito respeito entre ambos. Formou muitos estudantes da nova Psicologia, entre eles Pierre Janet, e encorajou também a fundação na Sorbonne do primeiro laboratório francês de Psicologia Experimental. No seu relatório, Bergson apresentará as razões em favor da manutenção da cadeira argumentando sobre os progressos realizados pela Ciência Psicológica durante os últimos 30 ou 40 anos, levando tal fato à criação de uma cadeira de Psicologia Experimental e Comparada no Collège de France. Dessa forma o Collège de France passa a ser ponte da ciência, e não cópia da Sorbonne, mas um lugar de expressão e reconhecimento para os representantes de novas ciências. Em Assembléia do Collège de France decidiu-se por unanimidade a manutenção da cadeira de Psicologia Experimental e Comparada. Em seguida a essa decisão, Pierre Janet apresenta, em 21 de dezembro de 1901, seus títulos de candidato a cadeira de "Psicologia Experimental e Comparada”. Eis um sumário exposto por Bergson dos títulos de. Pierre Janet: "Nascido em 1859,. Janet entrou na Escola Normal em 1879 e saiu em 1881 como Professor de Filosofia. Em 1889 faz seu doutorado em Letras. Lecionou Filosofia nos Liceus de Châteauroux e do Havre, depois em Paris no Collège Rollin, e nos Liceus Louis le Grand et Condorcet. De 1889 à 1893, ele faz em Paris seus estudes médicos e se doutorou em medicina. De 1895 à 1897, substitui M. Ribot no Collège de France, de 1898 à 1901, permaneceu em exercício durante o primeiro semestre. Fez em 1898 um curso de psicologia na Sorbonne e dirigiu depois de 1890 um laboratório de Psicologia em Salpêtrière [3]. Esse foi o curriculum vitae apresentado e consignados nos Archives Nationales sob a cote F-17-13551.
2. Linha de tempo da escalada de Pierre Janet como sucessor de Ribot Na introdução de sua primeira aula no curso de Psicologia Experimental e Comparada no Collège de France, Janet agradecerá o mestre de Psicologia francesa de sua confiança e se evidenciará como seu discípulo: os títulos de seus cursos difundem nos primeiros tempos expressamente aquelas das obras clássicas de Ribot. Durante o ano de 1895-1896, abordará sobre as condições psicológicas da personalidade. O ano seguinte (1896-1897), ele abordará as condições psicológicas da vontade. Ribot retomará suas aulas de forma intermitente. No ano universitário de 1898-1899, ele será novamente substituído no primeiro semestre por Janet, que dissertará sobre as "condições psicológicas da memória". No mesmo ano, Janet foi nomeado para a Sorbonne como encarregado do curso de psicologia experimental (cf., Nicolas, 2000 b) como novo sucessor de Ribot que havia ocupado essa disciplina de 1885 à 1888 (Nicolas, 2000 a). Durante o ano de 1899-1900, Pierre Janet ficará ainda no Collège de France até o primeiro semestre do ano 1900-1901 discorrendo sobre o sono e os estados hipnóides. Eis aqui um resumo estabelecido por Janet (1901), no seu último curso enquanto substituto de Ribot, na cadeira de Psicologia Experimental e Comparada do Collège de France. Esse curso iniciado no ano precedente tinha por título "O sono e os estados hipnóides".
3. Uma das aulas proferida por Janet Janet lecionava às segundas e quintas feiras diante de um auditório numeroso mas que era diferente ao que era antigamente freqüentado nas conferências de Henri Bergson, cuja freqüência era de pessoas idosas, senhoras cobertas por xales, havendo poucas pessoas jovens nessa sala de colunas de mármore que dariam uma certa solenidade se ela não estivesse mobiliada somente por poltronas de madeiras estreitas e muito incomodas. O estrado em que ficava o conferencista era um pequeno tablado uma espécie de nicho semicircular e abobadado onde se achava o assento do professor pintado de vermelho separado do público por uma sólida grade feita em madeira. A uma hora e quinze minutos precisamente como que ele aparecesse de um alçapão uma pequena silhueta aparecia por detrás de um quadro negro. Magro e calvo, barbas longas e um agradável sorriso se expandem pelo seu rosto. Janet se dirige para a sua mesa, se instala na sua poltrona, cruza as mãos sobre o ventre e começa a falar. Embora falando com rapidez o seu linguajar é familiar, voz clara sem atropelo. A clareza é a característica mais marcante do conferencista. Apresenta os seus pontos de vista com conhecimento de causa e com simplicidade, sendo que seus ouvintes, mesmo os mais leigos no assunto, ficam atentos aos seus ensinamentos. Ao abordar temas religiosos ele pronuncia frases com o seguinte teor: “Muitas pessoas acham que o essencial numa religião é o dogma. Na realidade é uma redundância e uma inutilidade, um argumento de polidez”. “A religião é uma utilidade social”. “Os dogmas trocam mas as religiões subsistem”. “É confortável acreditar, mas é muito fatigante duvidar”. “Os nomes se originam dos deuses, as imaginações são transformadas em crenças.” Nas suas proposições não faltam humor nem vivacidade a despeito da seriedade do assunto, e em seguida a um sorriso, passa a ter uma fisionomia bem séria, e continua, tratando da função da influência e interesse pessoal na formação das crenças: “Um religioso caminha sobre os pés " “Se a pessoa cessar de acreditar, ele não terá no fim do mês o seu ordenado" "A verdade é um crédito feliz e nada mais" As comparações e as imagens animam a aula e em nenhum instante os ouvintes pensam que o autor da L´ Intuition psychologique toca nos mais graves problemas que se passam no espírito humano, e que esses pontos de vista de uma originalidade profunda, com visões audaciosas, ele as apresente de forma inédita. Esse curso compacto, tão rico e novo, é lecionado sem nenhum apontamento, lendo, vez ou outra, pequenos trechos de sua antiga tese, onde de passagem, ele assinala a importância, ou se referirá a um livro publicado na época intitulado A boar dún brise-glace soviétique de Frederic Sieburg, que considera uma obra importante, de onde retira alguns exemplos. Nada de dogmático, ele se expressa, muito ao contrário, com uma surpresa e uma discrição raras, não se descuidando das precauções oratórias. Faz constantes apelos ao senso crítico e às lembranças de seus ouvintes: "Eu gostaria de assinalar" "Vós vos lembrais" Muitas dessas frases começam por: “Vocês se recordam?” "Me parece que" "Eu passo por esse assunto rapidamente para recordar" "É quase certo" "Um desses dias iremos fazer uma reflexão" “Onde parece - que é um erro do século XVIII” "Releiam essa magnífica obra L`Introduction à la medecine experimentale de Claude Bernard" "Como vocês querem que a ciência se fundamente sobre uma verdade, pois que a verdade pode trocar dentro de quinze anos?” A delicadeza, ou a ironia, faz com que por detrás dos seus óculos, brilhem os olhos do conferencista. Ele tem um prazer de integrar o público nas suas objeções, nas suas observações, nas suas convicções, de seu ceticismo dos conceitos tradicionais e de verdades ainda discutíveis! Ele se interessa, apaixonadamente, por aquilo que profere, se entusiasma, e apóia os dois braços sobre a mesa, se inclinando em direção ao auditório; a sua cabeça balança em pequenos movimentos, os braços gesticulam de forma suave, as mãos acompanham as suas palavras como se fosse um maestro regendo uma orquestra. Usa o processo do adágio de Descartes: "A verdade se evidencia por si própria", e replica Spinosa: "A verdade vem da crença. É porque vocês acreditam que é uma verdade". E nessa aula que passa tão rapidamente Pierre Janet joga ainda outras pedras no jardim muito bem cuidado dos filósofos e teólogos.
4. Bibliografia
[1] que se caracteriza por um estado de fraqueza, debilidade, irritabilidade, cefaléia, alterações do sono e fácil fatigabilidade [voltar] [2] O Collège de France é a instituição científica fundada em Paris por Francisco I, em 1530, e então designada Collège du Roi. Os seus professores recebiam o título de leitores ou professores reais Em 1530 a pedido de Guillaume Budé, seu" mestre de livraria", Francisco Iº nomeou seis "leitores" reais encarregados de lecionar com independência as disciplinas não lecionadas na Universidade de Paris, hebreu (F. Vatable, A. Guidaccerius, P. Paradis),grego (P. Danès, J. Toussaint) e matemáticas (O. Finé). Goza de administração autônoma, sendo responsável por ela o colégio dos professores titulares, que também determinam os programas. É um estabelecimento independente regido por leis próprias, sendo a nomeação dos professores sancionada pelo chefe de Estado. No fim do sec. XIX tinha mais de 350 anos de existência ininterrupta, e desenvolvimento contínuo. Em 28 de agosto de 1610, Luís XIII colocou a primeira pedra do novo edifício. A construção marchou muito lenta e foi retomada um século e meio mais tarde. Hoje, ainda, o Collège de France forma uma instituição a parte, não pertencendo em nenhum quadro geral de ensino superior e não tendo alguma ligação administrativa com a Universidade de Paris. [voltar] [3] La Salpêtrière é hoje uma dependência do Hospital Geral de Paris. Sua entrada principal está no Boulevard de L'Hôpital, adjacente à Gare d'Austerlitz, e entradas secundárias no Boulevard Vincent Auriol e Rue Bruant. Veteranos sem lar eram albergados no Hôtel des Invalides (1670) e toda categoria de mendigos no Hôpital Général (1657), o qual era constituído de três unidades: Bicêtre para os homens, La Pitié para jovens, e La Salpêtrière para mulheres. O nome desse hospital vem do fato de ter sido construído no local de uma antiga fábrica de pólvora, cujo componente principal é o salitre, em francês, salpêtre. O hospital foi primitivamente um albergue e orfanato, criado por édito real de 1656, para os mendigos da cidade, com o fim de por termo à mendicância e vagabundagem, origem de todas as desordens e crimes que ocorriam em Paris e seus arredores. Recebia inclusive filhas de nobres pobres e arruinados, as quais gozavam de tratamento especial. A todos era dado um sólido ensinamento religioso, além da alfabetização, e artes habilitadoras. Em pouco tempo, porém, a Instituição degenerou em um repugnante depósito de loucos e malfeitores. Em 1680, um édito real determinou que La Salpêtrière, que já abrigava em suas imensas instalações os mendigos, epilépticos, paralíticos e aleijados, e vítimas de doenças mentais ainda tidas como manifestações demoníacas, fosse também uma prisão para as prostitutas presas nas ruas da cidade. Seu primeiro capelão foi São Vicente de Paula, dedicado inteiramente a aliviar o sofrimento dos internos mais miseráveis. Um dos mais hediondos episódios da Revolução francesa ocorreram no célebre massacre de La Salpêtrière, na noite de 3 para 4 de setembro de 1792. Um bando de bêbados decidiu libertar as prostitutas lá recolhidas e, apesar de libertarem um certo número delas, as demais mulheres, doentes mentais, alcoólatras e portadoras de deformações físicas, foram arrastadas para a rua e massacradas à vista do povo. As loucas mais agitadas ficavam acorrentadas até morrer. Somente no início do século XIX a situação da seção de alienados mudou, por obra do psiquiatra Philippe Pinel, que determinou a remoção das correntes e a humanização do tratamento das doentes.. Na segunda metade do século XIX, quando o Jean-Martin Charcot assumiu a responsabilidade por essa seção, La Salpêtrière tornou-se um centro de estudos psiquiátricos mundialmente famoso, que recebia estudantes de todo o mundo para assistir experimentos e aulas sobre doenças mentais sendo Pierre Janet o seu sucessor. [voltar]
Premier Comité de Soutien Em razão da reconstituição da Société Pierre Janet, deve ser elogiado o grande esforço da pesquisadora Mlle Isabelle Saillot. Isabelle SAILLOT, Projet Pierre Janet, que elaborou o mais completo site estrutural de Pìerre Janet, o primeiro a ser consagrado a obra e a atualidade de Pierre Janet.
Membros que Compõem a Comissão:
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